Um tiro no pé do ateísmo
Hoje vi este post do Consciencia.blog.br no Bule Voador, e achei bastante interessante. Explora de forma mais genérica um ponto que eu tinha comentado neste outro post aqui há alguns meses atrás: a forma como a agressividade da militância ateísta prejudica a própria luta pela liberdade religiosa. Muito já foi dito nesse post, gostaria de fazer este aqui mais para complementar o assunto mesmo e trazer minhas impressões.
Como já foi dito, vem crescendo dentro dos movimentos ateístas a provocação gratuita aos religiosos, que contribui em nada para um ambiente mais pacífico e tolerante, pelo contrário, pode fazer as pessoas terem mais raiva dos ateus por os considerarem intolerantes, implicantes, arrogantes, donos da verdade. E infelizmente não podemos nos defender com a posição (coberta de razão, diga-se de passagem) de que você não pode julgar uma pessoa pelas atitudes do grupo onde ela está inserida. O problema é que esse tipo de julgamento, justamente aquele que por definição se chama PRECONCEITO e é justamente o que procuramos combater, não é uma postura racional; logo, não podemos cobrar tão facilmente a postura racional de julgar um indivíduo pelas suas ações e não pelas ações de seus “semelhantes”. Reforço: essa demanda está COBERTA DE RAZÃO, e julgar uma pessoa pelo seu grupo continua TOTALMENTE ERRADO!!!
E mais: concordo com uma opinião que já ouvi, de que um dos focos da luta contra o preconceito deveria ser combater a própria ideia de preconceito, de julgar pessoas pela sua “categoria”, que criticar atitudes negativas do seu grupo seria, de uma certa forma, combater o sintoma e não a doença. Mas não podemos ser tão puristas e idealistas assim: é preciso ter uma visão mais pragmática e estratégica. Enquanto uns continuam se divertindo ridicularizando as religiões e seus praticantes, outros continuarão sendo julgados por tabela e pagando o pato.
Mas é mais grave ainda: algumas das críticas feitas às religiões são falaciosas, e até mesmo MENTIROSAS. Oras, algumas das maiores críticas às religiões não são a desinformação, a manipulação, a desonestidade intelectual de seus apologistas? Aderir à mesma postura deplorável é tornar-se tão ruim quanto eles, ou até pior, e para isso não há desculpas: comportamentos assim devem ser duramente criticados a todo momento. Esta série de posts do Consciencia.blog.br procura desmascarar a desinformação passada em certas campanhas ateístas. Não li tudo, mas gostei do que vi.
Certas críticas, embora possam ser consideradas meias verdades, contêm um mesmo erro grave: consideram que todas as religiões são como as abraâmicas, que todas motivam guerras, repressão, racismo, sexismo e outros males bastante presentes nas religiões citadas (e há de se convir que mesmo não praticados pelos seus adeptos atualmente, e as vezes nem mesmo pelos próprios líderes, foram endossados ao longo de suas histórias e muitas vezes continuam presentes em seus textos sagrados, apesar de todo o malabarismo intelectual de seus seguidores mais moderados para esconder isso).
Nunca vimos guerras religiosas sendo causadas por espíritas, taoistas, animistas, sikhs ou umbandistas, entre outros. E não podemos afirmar que eles só não fizeram isso porque não conseguiram poder para tal enquanto não tivermos evidências de que seus líderes têm vontade de fazer isso um dia: seria uma falácia do declive escorregadio.
Também vemos na história uma tolerância religiosa razoável por parte da Pérsia zoroastra, e desconheço casos de religiões pagãs de alguns povos europeus antigos, como os celtas e os bálticos (da atual Lituânia) vitimando seguidores de outras religiões. Pelo contrário: apenas conheço o fato desses povos terem sofrido perseguição religiosa por parte de romanos e de cristãos. Além disso, existem e existiram religiões onde a mulher não era rebaixada, sendo até mesmo exaltada em alguns casos, como no Egito antigo. Óbvio que isso não isenta essas religiões de outros problemas: grande parte das religiões antigas, genericamente denominadas pagãs, realizavam sacrifícios humanos, e o misticismo de seus cultos deve ter resultado em obscurantismo várias vezes (não posso afirmar, não tenho muito conhecimento sobre a história desses povos).
O texto fecha levantando uma hipótese: de que esses ateus na verdade praticam revanchismo. E se isso for verdade (e não duvido que seja), é algo muito grave: significa que esse ciclo não vai mais acabar, que vamos continuar odiando uns aos outros. É isso mesmo que vocês querem? Continuar brigando, ofendendo, atacando gratuitamente, “converter” as pessoas ao ateísmo, mostrar o quanto você deseja que todas as religiões sejam extintas? Porque se o que desejam é respeito, o fim do preconceito, não serem julgados pela sua cosmovisão, esse não é o caminho. E não vejo como uma cruzada anti-religiosa pode dar certo, nem como os males da religião estão imunes de ser substituídos por doutrinas seculares como o ultra-nacionalismo (que não é necessariamente de cunho religioso, muito menos atualmente) ou regimes totalitários como o stalinismo.
Meu posicionamento político e econômico
Desde o início deste blog eu já tinha uma ideia de posicionamento político (que já mudou consideravelmente, diga-se de passagem), mas não tinha muito clara qual seria a minha proposta. Vim amadurecendo-a nesse meio tempo, e hoje já tenho um projeto mais claro. Ainda está em estágio bem preliminar, ou assim espero, porque eu ainda tenho só 18 anos e todo um curso de economia pela frente…
Então sem mais delongas, vamos lá:
Meu projeto é essencialmente o que se pode chamar de “esquerdista”, apesar desse tipo de separação entre “esquerda” e “direita” ser um tanto oca nos dias de hoje. Concordo com a máxima marxista de “de cada qual, de acordo com suas habilidades; a cada qual, de acordo com suas necessidades”, mas sem seguir estritamente alguma “cartilha” que eu já tenha lido, e fazendo um apanhado de outras ideias que considero boas.
Economia
Vejo como o maior problema do capitalismo como é conduzido hoje o corporativismo. Grandes corporações fazem práticas como monopólios e cartéis, que efetivamente destroem o livre mercado (uma ideia essencialmente boa) e acabam prejudicando o consumidor com preços abusivos e serviços de qualidade inferior. É também pelo mesmo motivo que também sou contra a economia completamente subjugada ao Estado.
Na minha visão ainda de leigo interessado por economia,vejo a liberdade irrestrita de mercado como insustentável. Como trata-se de uma competição, alguém vai acabar ganhando. Quando isso acontecer, esse vencedor terá um enorme poder econômico, e consequentemente político, por meio do famigerado lobby, e exercerá controle. Desta forma, novos concorrentes dificilmente conseguirão estar a altura, e assim a liberdade do mercado está ameaçada. Assim, vejo como importante a presença de um incentivo estatal para novas empresas e uma regulamentação forte contra práticas como monopólios e cartéis, para garantir a continuidade da competição, e assim manter altos os padrões de qualidade dos serviços prestados. (Apesar de eu preferir a cooperação à competição, percebo que é ingênuo imaginar que uma sociedade cooperativa funcionaria hoje, da mesma forma que considero ingênuo achar que anarquia funcionaria hoje, apesar de ser na minha opinião a meta para a humanidade.)
Também vejo a especulação como uma prática bastante negativa, além de considerar indigno alguém criar dinheiro simplesmente comprando e vendendo papéis. Acredito que a especulação deveria ser exterminada. Inclusive, puxando para o lado social, acredito que uma solução razoável seria proibir que proprietários mantivessem um terreno fechado por períodos muito longos, sendo obrigados a alugar, vender ou encontrar uma solução parecida. Isso também poderia resolver o défict habitacional, aumentando a oferta de terrenos e assim diminuindo os preços.
Política
Citando Winston Churchill, “a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as outras formas que tem sido tentadas de tempos em tempos”. A democracia representativa é a forma de governo melhor consolidada que existe hoje, e acredito que deveria continuar sendo utilizada, mas visando uma transição para a democracia direta, na qual as próprias pessoas poderiam votar diretamente nas decisões, como já acontece em plebiscitos e referendos, mas tornando-os cada vez mais frequentes.
Acredito que os políticos, principalmente os parlamentares, deveriam ser apenas representantes, e não políticos profissionais. O político deveria ser tratado da forma como ele é atualmente na Suécia. O vídeo abaixo (OLD, mas não menos excelente por isso) demonstra perfeitamente.
Também defendo que a eleição de parlamentares deveria ser feita diretamente pelo número de votos, e não com esses mecanismos de “puxar votos” para um determinado partido.
Sociedade e Estado
Como já deve ter ficado bem claro no restante dos meus posts, e até mesmo neste, não defendo o estado mínimo, mas também considero ineficiente um modelo completamente estatizado. As funções que deveriam caber ao Estado na minha opinião seriam garantir para todos os cidadãos em dia com suas obrigações cívicas saúde, educação, segurança, saneamento, acesso a comunicações e eletricidade, além de oferecer subsídios para alimentação e habitação a cidadãos necessitados.
A implantação de infra-estrutura de saneamento, transporte, eletricidade e comunicações seria feita pelo Estado, mas sua manutenção e o oferecimento desse serviço para o cliente final seria feito por meio de empresas privadas, desde que houvesse uma concorrência real entre empresas. Por exemplo, não existe concorrência em concessões de estradas, porque dificilmente alguém mudaria de caminho porque está insatisfeito com o serviço da concessionária de determinada estrada (isso quando não é impossível evitar uma empresa completamente, e.g. quando esta controla todas as estradas de uma região). Também não há concorrência quando apenas uma companhia de eletricidade ou saneamento detém a concessão de uma cidade inteira, ou quando uma linha de transporte público é detida por apenas uma empresa (e geralmente é pior ainda, pois é formado um cartel com todas as empresas de transporte público de uma cidade).
Conclusão
Essa é a opinião que eu, ainda como leigo meramente interessado por política e economia, tenho a respeito de como seria um bom sistema político e econômico. Como disse no início, ainda tenho muito pela frente e imagino que muita coisa mudará, assim como muito já mudou antes.
Piri-WTF?
Hoje o assunto na internerd foi o tal texto das Garotas Geeks sobre as pirinerds. Wait, piri O QUE???
Sobre o texto em si, não tem muito mais o que dizer, porque ele foi magistralmente refutado aqui. Algumas considerações:
- Triste ver como o “mundo nerd” se apropriou de uma influência negativa dos headbangers (a.k.a. “metaleiros”). A pior de todas, diga-se de passagem: essa imbecilidade de “tr00s” e “posers”. Vou ser honesto e conceder um ponto: é um tanto irritante alguém vir pagar de entendido de um certo assunto (games, por exemplo) e na verdade saber nada dele. Mas essa para mim é uma irritação mínima: só distinguir uma pessoa curiosa mas pouco entendida de alguém que de fato quer só pagar de entendido e problema resolvido. No primeiro caso eu apresento o assunto com todo o prazer, e no segundo, mando o cara à merda e fim de papo. Mas esse não é o tipo de preocupação que ocupa minha cabeça quando se fala de apreciadores de games, metal, atum com leite condensado ou qualquer outra área de interesse meu, sabe?
- Estendendo o ponto anterior: por que essa mania de segregar e não unir? Por isso, sou muito mais a forma que o Jovem Nerd tratou a questão: “de nerd todo mundo tem um pouco”. Nerd seria aquele que gosta de exercitar sua imaginação, que gosta de conhecer a fundo suas áreas de interesse, desde algo “tipicamente nerd” como ciência ou games até coisas “não-nerds” como música ou esporte. Sabe aquele seu amigo que entende de todos os sub-gêneros do metal, ou que conhece toda a história dos campeonatos de futebol? Ele também seria um tipo de nerd! Não seria mais interessante reunir todos, mostrando como somos na verdade parecidos?
- Ainda estou tentando entender qual é o sentido de ser uma “pirinerd”. Assim, ser uma “maria gasolina”, “maria chuteira” ou “piriguete normal” faz todo o sentido: se está em busca de um homem rico para pagar jantares e baladas caras, levar para passear de Mercedes e “apresentar” a mansão. Agora, com NERDS? Qual o grande atrativo de um cara que provavelmente vai preferir gastar o dinheiro com games ou mangás?
Agora, deixando um pouco o lado nerd e indo mais para o lado “piriguético”: graças em grande parte a uma amiga feminista que fiz na internet, consegui superar todas essas categorizações de mulheres. E devo dizer, isso me fez um bem enorme! Me fez abrir os olhos para o fato de que não existe “receita de bolo” para “pegar mulher”, que as pessoas são únicas e que cada um tem suas regras. E para mim, que nunca gostei das “receitas” que me foram apresentadas, isso é ótimo! Principalmente ao perceber que os relacionamentos de fato acontecem da forma que eu intuí muitos anos atrás: naturalmente, de acordo com o tipo de pessoa que combina com você, por afinidade.
Por isso, também deveríamos abandonar “categorias” como “piriguete”. Quem garante que a “santinha” não pode decidir um dia mudar tudo e “pegar geral”, ou que a “piriguete” não se apaixone perdidamente e até passe a querer casar e ter filhos?
E foi por isso que, para fechar o post, decidi mostrar-lhes o Guia Definitivo dos Relacionamentos que eu elaborei após todas essas revelações.
Liberdade existe?
Talvez não esteja muito claro aqui ainda, mas eu sou contra o libertarianismo, apesar de ser completamente a favor das liberdades individuais. E ultimamente fortaleci minha oposição ao libertarianismo quando tive uma conversa interessante sobre o próprio sentido da liberdade.
Liberdade deve ser uma das coisas mais difíceis de definir, ali com amor e felicidade. Mas estou chegando a uma conclusão: liberdade absoluta, assim como felicidade absoluta, é algo que não existe. Não na nossa realidade, pelo menos.
Tome a situação onde se poderia estar o mais próximo possível da liberdade total: sozinho na selva. Mesmo assim não existe liberdade total. Por que? É fácil de entender. Você pode, por exemplo, decidir que nunca mais vai se preocupar com comida e com predadores, e vai ficar o resto da sua vida tomando sol e mergulhando na cachoeira? Não, você não pode. Ou melhor, até pode, mas é um estilo de vida inviável.
E vivendo em sociedade, a busca pela liberdade fica ainda mais difícil, porque você tem que conviver com outras pessoas. E como dizia Sartre, “o inferno são os outros”. Você não vive em uma bolha: suas ações afetam outras pessoas. Qualquer ação. E assim temos paradoxos bastante interessantes sobre liberdade.
Imagine que todas as pessoas pudessem andar nuas. Haveria mais liberdade, certo? Certo. Ou não. Você não teria mais a liberdade de não ver pessoas nuas, por exemplo (existem pessoas que gostam de desfrutar dessa liberdade, eu incluso em boa parte das situações).
E por causa desse paradoxo temos que fazer certas concessões de nossa liberdade para termos uma convivência pacífica (o chamado contrato social, pesadelo de muitos libertários que “não assinaram contrato algum” mas os quais acredito que se arrependeriam de revogá-lo por completo se assim pudessem). Chegamos a dois pontos básicos que norteiam a noção de liberdade na sociedade moderna:
1 – A minha liberdade termina onde começa a sua.
2 – Liberdade prescreve responsabilidade.
Não é perfeito, ainda é uma definição vaga e existe muita controvérsia sobre onde começa a liberdade do próximo, ou ao tentar visualizar claramente a linha tênue entre liberdade e irresponsabilidade (e mais, até onde temos ou não o direito de ser irresponsáveis), mas na minha opinião é o melhor que temos por enquanto.
E por isso eu leio muito mas ainda não consigo formular uma opinião, por exemplo, sobre o humor precisar ter limites ou não. Até onde os impactos de um humor preconceituoso são reais? Quais as discriminações concretas que se escondem sob o manto do “é piada, não levem a sério”? Ainda estou bem incerto quanto a isso.
Mas uma coisa é certa: o único lugar onde existe liberdade de verdade é naquela área de preparação da Matrix. Se você estiver sozinho, claro.
Desmistificando a friend zone
Ultimamente ressuscitaram um assunto do qual eu não ouvia falar há um bom tempo: a famigerada friend zone.
Quando este assunto estava mais em alta, nos idos de 2010-2011, eu realmente me preocupava com essa de friend zone, achava que existia mesmo, que se eu caísse nela significava que eu errei, e até que TALVEZ desse para consertar se eu “chegasse chegando”, com “pegada”. Hoje estou mais maduro e descobri o verdadeiro sentido.
É simples, gente. Não é agradável, mas é simples.
Se a guria não quis ficar contigo, pequeno gazebo, é porque ELA NÃO ESTÁ A FIM. Só isso. Você não fez nada de errado, não foi porque você conversou demais com ela e acabou ficando amigo demais. Não entendeu? É simples, só inverter. Pense em uma garota que você ache gente boa, mas você não tá a fim de ser mais que amigo dela. Ela dá em cima de você e você corta falando que quer ser só amigo. Entendeu? É a mesma coisa.
Eu comecei a reparar em um equívoco comum: as pessoas acham que se você “chegar chegando” você consegue mais fácil, e o problema é ter ficado amigo. Na verdade, é o seguinte: se você ficou com ela na balada ou algum outro ambiente mais casual, tem duas coisas: ela não te conhece direito e [geralmente] está interessada mais em uma ficada que qualquer coisa. Agora, quando você conhece em um ambiente menos “propício”, tem mais tempo da pessoa te conhecer e perceber se ela quer você mesmo ou não. Vamos supor que rolasse com ela na balada. Dificilmente se tornaria um relacionamento sério, ou se virasse, não iria muito “para frente”. (Ou não, você pode sempre se impressionar com outra pessoa…)
E pense bem, essa história de ficar amigo vai para o outro lado: vai que você seja o tipo de pessoa com quem ela nunca ficaria na balada, mas depois de te conhecer melhor acaba se apaixonando…
Associação do Livre Voador
Para quem esperava um post de mais alto nível como os outros, foda-se me desculpe.
Devo ser muito burro mesmo por me prestar a falar sobre esse assunto, mas já que eu sou burro, hoje é domingo e eu tenho nada melhor para fazer, vamos lá.
Testemunhamos nesta semana mais um cenário da Segunda Guerra Buleana, a Campanha Paulopesiana. Segue o diário de campanha:
O campo de batalha é o Paulopes Weblog. Toda a movimentação da campanha aconteceu neste.
Dia 0: . Publicação de um texto de Daniel Sottomaior em resposta a uma crítica de Ives Gandra sobre o “fundamentalismo ateu”.
Dia 1: Publicação de uma resposta de Eli Vieira ao texto do dia anterior.
Dia 2: Os confrontos se estendem ao próximo dia, mas sem acontecimentos notáveis. Configura-se uma “terra de ninguém” entre as linhas dos beligerantes.
Dia 3: Publicação de uma resposta de Marcelo Esteves a Eli Vieira e também da resposta de José Geraldo Gouvêa a Eli Vieira, e por extensão a Daniel Sottomaior. Os confrontos continuam em larga escala. O cenário é aterrador, mas o moral dos beligerantes não se abate.
Bom, agora vou falar mais sério sobre o assunto. Se alguém se incomodou com a brincadeira do diário de batalha, foda-se você também.
Essa “guerra” toda é uma miscelânea de algumas reclamações justas e um grande conflito de egos entre os “beligerantes”. O paralelo com as Guerras Mundiais é bem pertinente, visto que a segunda origina-se de questões não resolvidas da primeira em ambos os casos. Devo dizer que o texto de José Geraldo Gouvêa se destaca por não estar metido nessa rixa, e sim refutando pontos das outras “batalhas”, e nisto desempenhou um papel excelente.
Desejo quero fazer algumas considerações sobre os “beligerantes”.
Primeiramente, aos anti-Bule: há uma grande confusão feita a respeito do propósito da LiHS como um todo. O Bule Voador NÃO É um blog ateu, e sim um blog HUMANISTA, mesmo tendo ateus na esmagadora maioria de sua composição. Pode parecer óbvio para mim, mas pelo jeito não é. Entendendo este ponto ESSENCIAL, podemos entender atitudes como abrir espaço humanistas religiosos. Dentro dessa proposta, não há problemas com isso. Posso estar redondamente enganado, mas assim me parece e me pareceu com todas as pessoas que me consultei.
Sobre o “elitismo buleano” e o “faCismo”: compactuo com a opinião de Gregory Gaboardi: “Se for a casta dos ateus que pensam sobre o ateísmo, então realmente estarei criando uma casta. E não sinto culpa nenhuma neste caso”. Eu não vejo tão deflagrada assim a criação de uma “casta”, mas se é elitista buscar uma reflexão melhor dos seus próprios valores, entendê-los a fundo, e instigar outros a fazer isso, talvez ser “elitista” não seja algo tão ruim.
Agora, a Eli Vieira: sua explicação de que ateísmo é uma crença não me convenceu. Não tenho também provas do contrário, mas após ver que José Geraldo Gouvêa expôs seu uso parcial (no sentido literal da palavra) de uma fonte e rejeitar a definição de ateísmo fraco como ateísmo, acredito que essa posição esteja em xeque. Tendo tudo isso em vista, prefiro utilizar a definição mais corrente de ateísmo: a descrença em divindades OU [inclusivo] a crença na não-existência de divindades. Ademais, como diz o próprio nome da comédia de Shakespeare, “Much Ado About Nothing” (muito barulho por nada). Tudo isso por causa da definição de uma palavra?
Segundo essa definição, como aponta Eli Vieira, temos consequências sem sentido como pedras ateias, certo? Errado. Até onde sabemos, pedras não pensam, então não acreditam ou deixam de acreditar. Mas também chegamos a um ponto: ser ateu por ser ateu significa MERDA NENHUMA!!! Se você acredita na existência de divindades ou não, grande coisa. Mas isso não é justificativa para retalhar a definição de ateísmo e incluir apenas os que “significam algo”.
Por último, quanto às acusações de censura no Bule Voador: eu não sei muito sobre isso, até porque não tenho saco para ficar acompanhando esse tipo de coisa, mas o número de relatos sobre isso dá “pulga atrás da orelha”. Veja bem, não estou dizendo que é automaticamente verdade porque muita gente disse que é, mas sim que é algo para se pensar.
Enfim, aqui está minha intromissão no assunto. Por que fiz isso? Porque eu quero, e também porque eu posso. LOL
Tempestade em gota d’água
Vocês já devem ter visto aquele vídeo dos atores globais falando contra Belo Monte, não? [1]
Hoje vi este outro aqui. [2]
Este segundo vídeo, feito por alunos e professores da Unicamp, independente de seu ponto de vista é bem mais proveitoso, porque trás informação de verdade e não só sensacionalismo. O site que está na descrição do vídeo tem umas informações bem interessantes, explica melhor o que foi dito no vídeo.
E tendo essas informações decidi escrever este post.
Para início de conversa, não tenho ainda uma opinião formada sobre Belo Monte, ainda flutua bastante a cada vez que levantam um ou outro ponto, mas tenho algumas considerações a fazer seguindo certos pontos de vista.
Primeiramente, vamos analisar do ponto de vista econômico, minha área de maior interesse e que cursarei em breve. A usina de Belo Monte não será a “salvação da economia brasileira”, mas pode oferecer um impulso considerável: primeiro, por evitar (ou ao menos adiar) um possível colapso energético brasileiro, que interromperia o crescimento econômico sentido recentemente; segundo, gerar empregos (em sua esmagadora maioria, temporários, mas é melhor do que nada); terceiro, por trazer algum desenvolvimento à região. Admito, não sei muito bem como se daria esse desenvolvimento, mas é fato que a existência da usina em si já movimentaria capitais na região e haveriam vagas de empregos (estes permanentes) dentro da usina.
Agora adentraremos na questão geopolítica. Aqui podemos dizer que Belo Monte é uma jogada de mestre: promovendo a ocupação do território, o Brasil garante o uti possidetis: quem ocupa o território de fato efetivamente o controla. A ocupação reduziria as chances de pressões internacionais questionarem a soberania brasileira na Amazônia, por exemplo.
Mas há questões não tão positivas nesta obra. A primeira delas é a energética: com a construção de mais uma usina hidrelétrica, perpetuamos o padrão de dependência das hidrelétricas que mantemos há praticamente um século. Em praticamente todas as coisas da vida é uma péssima ideia depender de uma coisa só, e energia está longe de ser uma exceção. Mesmo sendo muito mais viável que a solar e mais confiável que a eólica, temos exemplos como Balbina, uma catástrofe ambiental e um dos maiores erros de engenharia da história da humanidade que merece um post a parte, e o apagão de 2001-2001 para demonstrar que, como qualquer fonte de energia, a hidrelétrica tem suas falhas. Como não existe energia 100% limpa, a melhor solução seria diversificar, e não continuar fortalecendo o que temos há anos como única fonte energética (cerca de 70% da eletricidade do país, o que na prática significa uma dependência quase total). Nosso território oferece boas condições para energia eólica e solar, e nossa tecnologia nuclear se desenvolveu relativamente bem com Angra 2, com a vantagem de estarmos praticamente imunes a grandes abalos sísmicos. Em suma, a solução mais provável para o futuro problema energético seria a diversificação. Construir mais hidrelétricas apenas adiaria o inevitável.
Por último, e de jeito nenhum menos importante, temos o desalojamento dos ribeirinhos e dos indígenas. Esta questão até agora me impede de tomar um posicionamento mais firme sobre a obra. Por um lado devemos considerar o valor que a terra possui para essas populações, principalmente os indígenas. Simplesmente levá-los de um lado para o outro não é tão simples quanto parece. Não devemos repetir imbecilidades como “eu já mudei de casa três vezes e não perdi a perna por isso”, contidas neste incrível vídeo que colocarei abaixo. [3]
Por outro lado, muitas vezes questiono certas políticas adotadas com os indígenas. Devemos realmente isolar esses povos em uma bolha e mantê-los intocáveis? Se a usina fosse construída no centro-sul haveria tanto problema nessa questão? Eu realmente não sei muito bem o que pensar por esse lado.
[1] BTW, entrei no vídeo para postá-lo aqui e vi como ele tem boa aprovação nos “joinhas” e uma desaprovação bem grande nos comentários. Pessoal doido esse do YouTube!
[2] Conheço de vista uma menina que participou desse vídeo. Não que isso venha ao caso…
[3] Essa senhorita possui um bom histórico de boçalidade e generalizações rasas de outros vídeos. Coroando com chave de cocô, ela fechou os comentários e os “joinhas” do vídeo. Legal, né?







