A barra de gelo gigante

Por uma série de coincidências, vi hoje dois materiais favoráveis à descriminalização das drogas. O primeiro, este vídeo de Dâniel Fraga (um direitista, mas bastante sensato e com o qual eu concordo em vários pontos):

E o outro foi esta petição do Avaaz. Farei um breve resumo aqui:

Haverá uma conferência internacional da ONU para debater a chamada guerra às drogas, que há mais de 50 anos vem sendo levada a cabo por vários (cada vez menos, diga-se de passagem) países do mundo. A ideia é que as pessoas assinem esta petição para ser apresentada aos dirigentes internacionais para mostrar a quantidade de pessoas que apoiam o seguinte ponto de vista: trata-se de uma guerra inútil, cruel, que causa danos enormes e trás nada de bom para a sociedade.

Minha opinião sobre isso mudou bastante recentemente.  Até uns tempos atrás (não sei bem quando), eu era completamente contra a legalização das drogas atualmente ilícitas e a favor do sistema atual. Depois começou a me bater a pulga atrás da orelha: por que algumas drogas são liberadas e outras não? E mais, o álcool é sabidamente a droga mais onerosa à sociedade.

Depois fui apresentado a uma hipótese interessante de como a maconha foi criminalizada nos EUA: foi uma forma de na verdade criminalizar o imigrante mexicano, o qual culturalmente fumava maconha da mesma forma que os americanos fumavam tabaco. Segundo o artigo onde li isso, que infelizmente eu perdi há algum tempo, os “argumentos” apresentados para a criminalização da maconha eram dignos de Monty Python.

Mas também existem outros pontos. Nos Estados Unidos, a guerra contra as drogas é uma catástrofe: o crime organizado se fortaleceu e o consumo de drogas AUMENTOU desde que foram proibidas. Já na Suécia, a “guerra” é um sucesso. Qual o consenso? Que na Suécia funciona e nos EUA não. Esta questão está longe de concluída.

Outro fato: o “ópio do povo” (literalmente) pode ter um efeito devastador sobre a força de trabalho das nossas sociedades. Isso nos remete à China do século XIX, quando o imperador declarou guerra à Grã-Bretanha para combater o ópio, que transformava cidadãos trabalhadores em abobalhados, a famosa Guerra do Ópio (duh). Mas seria muito pior que o álcool no Carnaval matando mais pessoas nas nossas estradas que o terremoto do Japão?

Minha opinião a respeito de tudo isso: não sei se seria sábio simplesmente declarar o fim da “guerra às drogas” e liberar geral, mas com certeza é chegada (quiçá passada) a hora de rever essa loucura. Os governos empenhados nesta guerra estão enxugando uma barra de gelo gigante, criando grandes demandas no mercado negro, e consequentemente o surgimento e fortalecimento de organizações criminosas que acabam tomando o lugar do Estado onde este não consegue chegar, criando reinados de terror nas periferias (e acredito que esta afirmação procede, vide a alegria dos próprios habitantes das favelas com a chegada das forças armadas e o expurgo dos “senhores do crime” de suas comunidades). E acredito que se transformarmos esta proibição em regulamentação, poderemos enfraquecer estas organizações. Afinal de contas, não foi isso que aconteceu com a Máfia nos EUA com o fim da Lei Seca?

Temos que colocar lado a lado na balança os custos da liberação das drogas para a nossa sociedade e os custos desta guerra infindável, analisar com muito cuidado as consequências, abrir a mente, estudar de forma fria e racional, livre de medos e superstições. Só assim podemos encontrar a saída deste problema gigantesco para enfim direcionar nossas energias a tantos outros que ainda assombram nossa população.

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