Tempestade em gota d’água

Vocês já devem ter visto aquele vídeo dos atores globais falando contra Belo Monte, não? [1]

Hoje vi este outro aqui. [2]

Este segundo vídeo, feito por alunos e professores da Unicamp, independente de seu ponto de vista é bem mais proveitoso, porque trás informação de verdade e não só sensacionalismo. O site que está na descrição do vídeo tem umas informações bem interessantes, explica melhor o que foi dito no vídeo.

E tendo essas informações decidi escrever este post.

Para início de conversa, não tenho ainda uma opinião formada sobre Belo Monte, ainda flutua bastante a cada vez que levantam um ou outro ponto, mas tenho algumas considerações a fazer seguindo certos pontos de vista.

Primeiramente, vamos analisar do ponto de vista econômico, minha área de maior interesse e que cursarei em breve. A usina de Belo Monte não será a “salvação da economia brasileira”, mas pode oferecer um impulso considerável: primeiro, por evitar (ou ao menos adiar) um possível colapso energético brasileiro, que interromperia o crescimento econômico sentido recentemente; segundo, gerar empregos (em sua esmagadora maioria, temporários, mas é melhor do que nada); terceiro, por trazer algum desenvolvimento à região. Admito, não sei muito bem como se daria esse desenvolvimento, mas é fato que a existência da usina em si já movimentaria capitais na região e haveriam vagas de empregos (estes permanentes) dentro da usina.

Agora adentraremos na questão geopolítica. Aqui podemos dizer que Belo Monte é uma jogada de mestre: promovendo a ocupação do território, o Brasil garante o uti possidetis: quem ocupa o território de fato efetivamente o controla. A ocupação reduziria as chances de pressões internacionais questionarem a soberania brasileira na Amazônia, por exemplo.

Mas há questões não tão positivas nesta obra. A primeira delas é a energética: com a construção de mais uma usina hidrelétrica, perpetuamos o padrão de dependência das hidrelétricas que mantemos há praticamente um século. Em praticamente todas as coisas da vida é uma péssima ideia depender de uma coisa só, e energia está longe de ser uma exceção. Mesmo sendo muito mais viável que a solar e mais confiável que a eólica, temos exemplos como Balbina, uma catástrofe ambiental e um dos maiores erros de engenharia da história da humanidade que merece um post a parte, e o apagão de 2001-2001 para demonstrar que, como qualquer fonte de energia, a hidrelétrica tem suas falhas. Como não existe energia 100% limpa, a melhor solução seria diversificar, e não continuar fortalecendo o que temos há anos como única fonte energética (cerca de 70% da eletricidade do país, o que na prática significa uma dependência quase total). Nosso território oferece boas condições para energia eólica e solar, e nossa tecnologia nuclear se desenvolveu relativamente bem com Angra 2, com a vantagem de estarmos praticamente imunes a grandes abalos sísmicos. Em suma, a solução mais provável para o futuro problema energético seria a diversificação. Construir mais hidrelétricas apenas adiaria o inevitável.

Por último, e de jeito nenhum menos importante, temos o desalojamento dos ribeirinhos e dos indígenas. Esta questão até agora me impede de tomar um posicionamento mais firme sobre a obra. Por um lado devemos considerar o valor que a terra possui para essas populações, principalmente os indígenas. Simplesmente levá-los de um lado para o outro não é tão simples quanto parece. Não devemos repetir imbecilidades como “eu já mudei de casa três vezes e não perdi a perna por isso”, contidas neste incrível vídeo que colocarei abaixo. [3]

Por outro lado, muitas vezes questiono certas políticas adotadas com os indígenas. Devemos realmente isolar esses povos em uma bolha e mantê-los intocáveis? Se a usina fosse construída no centro-sul haveria tanto problema nessa questão? Eu realmente não sei muito bem o que pensar por esse lado.

[1] BTW, entrei no vídeo para postá-lo aqui e vi como ele tem boa aprovação nos “joinhas” e uma desaprovação bem grande nos comentários. Pessoal doido esse do YouTube!

[2] Conheço de vista uma menina que participou desse vídeo. Não que isso venha ao caso…

[3] Essa senhorita possui um bom histórico de boçalidade e generalizações rasas de outros vídeos. Coroando com chave de cocô, ela fechou os comentários e os “joinhas” do vídeo. Legal, né?

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