Sororidade, do feminismo para o proletariado

Tive uma reflexão sobre um paralelo que poderia haver entre o feminismo e a luta do proletariado. Em ambas as causas existe desunião dentro da categoria que luta (ou deveria estar lutando) por essa causa, e a sororidade* deveria ser incentivada. Essa introdução ficou um pouco confusa? Não sabe o que é sororidade? Vou explicar.

Uma reclamação bastante recorrente no feminismo é a de que não há uma união entre as mulheres como há entre os homens, e isso dificulta ainda mais a luta contra o patriarcado. Assim, seria necessário criar o sentimento de sororidade (do latim soror, irmã, é o feminino de “fraternidade”) entre as mulheres e diminuir a competição e a discórdia entre elas, alimentadas pelo patriarcado, que de forma geral tornou todas as mulheres competidoras em potencial pela atenção masculina. Sabe aquela história de que todas as mulheres são víboras traiçoeiras e nunca são amigas de verdade umas das outras? Então…

Algo semelhante ocorre dentro da classe trabalhadora. De forma muito parecida com o patriarcado, o capital emprega muito bem a estratégia de dividir para conquistar, dificultando a solidariedade entre os trabalhadores. Percebemos isso, por exemplo, quando há uma greve e a primeira coisa que as pessoas (em sua esmagadora maioria, trabalhadores) fazem é se lamentar ou reclamar pela falta do serviço do qual dependem. Simpatizar pela luta daqueles trabalhadores passa longe: já temos nossas vidas muito ocupadas em busca da sobrevivência, do crescimento profissional e do sucesso.

Vejo que as duas causas têm um ponto em comum para trabalhar: construir essa cooperação. Assim como as mulheres precisam parar de acusar umas às outras de “vadias”, de disputar pelos “bons partidos” e cooperar para superar juntas as situações de abuso e humilhação, abrir seus espaços em meios ainda dominados por homens e fortalecer sua auto-estima em conjunto, os trabalhadores precisam parar de acusar grevistas e outros manifestantes de serem vagabundos que deveriam ser demitidos, de reclamar por não poder ter seu serviço e entrar para a luta, se manifestar por condições melhores para esses trabalhadores (que muitas vezes recebem pouco mesmo prestando serviços com custos elevados ao consumidor) e estar atentos à exploração no seu próprio meio também.

Imagem tirada da Anarcomiguxos

Imagem tirada da Anarcomiguxos

Termino colocando minha opinião fecal: a sororidade também deve ter seus limites, pois a tolerância com os intolerantes é um caminho certo para destruir toda a tolerância que ainda existe. Parceria com operário pelego, que apóia empresários em detrimento dos seus colegas de classe e aplaude sua própria exploração? Com mulher antifeminista por opção (e não por ignorância), que faz questão de legitimar o patriarcado? Tô fora!

 

* Usei “sororidade” também para o proletariado por dois motivos: criar uma ligação com o feminismo e quebrar a normatividade masculina.

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Um pensamento sobre “Sororidade, do feminismo para o proletariado

  1. […] já fiz outra vez, podemos estabelecer novamente um paralelo entre feminismo e socialismo: os teóricos marxistas, […]

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