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Um tiro no pé do ateísmo

Hoje vi este post do Consciencia.blog.br no Bule Voador, e achei bastante interessante. Explora de forma mais genérica um ponto que eu tinha comentado neste outro post aqui há alguns meses atrás: a forma como a agressividade da militância ateísta prejudica a própria luta pela liberdade religiosa. Muito já foi dito nesse post, gostaria de fazer este aqui mais para complementar o assunto mesmo e trazer minhas impressões.

Como já foi dito, vem crescendo dentro dos movimentos ateístas a provocação gratuita aos religiosos, que contribui em nada para um ambiente mais pacífico e tolerante, pelo contrário, pode fazer as pessoas terem mais raiva dos ateus por os considerarem intolerantes, implicantes, arrogantes, donos da verdade. E infelizmente não podemos nos defender com a posição (coberta de razão, diga-se de passagem) de que você não pode julgar uma pessoa pelas atitudes do grupo onde ela está inserida. O problema é que esse tipo de julgamento, justamente aquele que por definição se chama PRECONCEITO e é justamente o que procuramos combater, não é uma postura racional; logo, não podemos cobrar tão facilmente a postura racional de julgar um indivíduo pelas suas ações e não pelas ações de seus “semelhantes”. Reforço: essa demanda está COBERTA DE RAZÃO, e julgar uma pessoa pelo seu grupo continua TOTALMENTE ERRADO!!!

E mais: concordo com uma opinião que já ouvi, de que um dos focos da luta contra o preconceito deveria ser combater a própria ideia de preconceito, de julgar pessoas pela sua “categoria”, que criticar atitudes negativas do seu grupo seria, de uma certa forma, combater o sintoma e não a doença. Mas não podemos ser tão puristas e idealistas assim: é preciso ter uma visão mais pragmática e estratégica. Enquanto uns continuam se divertindo ridicularizando as religiões e seus praticantes, outros continuarão sendo julgados por tabela e pagando o pato.

 

Mas é mais grave ainda: algumas das críticas feitas às religiões são falaciosas, e até mesmo MENTIROSAS. Oras, algumas das maiores críticas às religiões não são a desinformação, a manipulação, a desonestidade intelectual de seus apologistas? Aderir à mesma postura deplorável é tornar-se tão ruim quanto eles, ou até pior, e para isso não há desculpas: comportamentos assim devem ser duramente criticados a todo momento. Esta série de posts do Consciencia.blog.br procura desmascarar a desinformação passada em certas campanhas ateístas. Não li tudo, mas gostei do que vi.

Certas críticas, embora possam ser consideradas meias verdades, contêm um mesmo erro grave: consideram que todas as religiões são como as abraâmicas, que todas motivam guerras, repressão, racismo, sexismo e outros males bastante presentes nas religiões citadas (e há de se convir que mesmo não praticados pelos seus adeptos atualmente, e as vezes nem mesmo pelos próprios líderes, foram endossados ao longo de suas histórias e muitas vezes continuam presentes em seus textos sagrados, apesar de todo o malabarismo intelectual de seus seguidores mais moderados para esconder isso).

Nunca vimos guerras religiosas sendo causadas por espíritas, taoistas, animistas, sikhs ou umbandistas, entre outros. E não podemos afirmar que eles só não fizeram isso porque não conseguiram poder para tal enquanto não tivermos evidências de que seus líderes têm vontade de fazer isso um dia: seria uma falácia do declive escorregadio.

Também vemos na história uma tolerância religiosa razoável por parte da Pérsia zoroastra, e desconheço casos de religiões pagãs de alguns povos europeus antigos, como os celtas e os bálticos (da atual Lituânia) vitimando seguidores de outras religiões. Pelo contrário: apenas conheço o fato desses povos terem sofrido perseguição religiosa por parte de romanos e de cristãos. Além disso, existem e existiram religiões onde a mulher não era rebaixada, sendo até mesmo exaltada em alguns casos, como no Egito antigo. Óbvio que isso não isenta essas religiões de outros problemas: grande parte das religiões antigas, genericamente denominadas pagãs, realizavam sacrifícios humanos, e o misticismo de seus cultos deve ter resultado em obscurantismo várias vezes (não posso afirmar, não tenho muito conhecimento sobre a história desses povos).

 

O texto fecha levantando uma hipótese: de que esses ateus na verdade praticam revanchismo. E se isso for verdade (e não duvido que seja), é algo muito grave: significa que esse ciclo não vai mais acabar, que vamos continuar odiando uns aos outros. É isso mesmo que vocês querem? Continuar brigando, ofendendo, atacando gratuitamente, “converter” as pessoas ao ateísmo, mostrar o quanto você deseja que todas as religiões sejam extintas? Porque se o que desejam é respeito, o fim do preconceito, não serem julgados pela sua cosmovisão, esse não é o caminho. E não vejo como uma cruzada anti-religiosa pode dar certo, nem como os males da religião estão imunes de ser substituídos por doutrinas seculares como o ultra-nacionalismo (que não é necessariamente de cunho religioso, muito menos atualmente) ou regimes totalitários como o stalinismo.

Associação do Livre Voador

Para quem esperava um post de mais alto nível como os outros, foda-se me desculpe.

Devo ser muito burro mesmo por me prestar a falar sobre esse assunto, mas já que eu sou burro, hoje é domingo e eu tenho nada melhor para fazer, vamos lá.

 

Testemunhamos nesta semana mais um cenário da Segunda Guerra Buleana, a Campanha Paulopesiana. Segue o diário de campanha:

Protejam-se em suas trincheiras, a guerra está solta!

O campo de batalha é o Paulopes Weblog. Toda a movimentação da campanha aconteceu neste.

Dia 0: . Publicação de um texto de Daniel Sottomaior em resposta a uma crítica de Ives Gandra sobre o “fundamentalismo ateu”.

Dia 1: Publicação de uma resposta de Eli Vieira ao texto do dia anterior.

Dia 2: Os confrontos se estendem ao próximo dia, mas sem acontecimentos notáveis. Configura-se uma “terra de ninguém” entre as linhas dos beligerantes.

Dia 3: Publicação de uma resposta de Marcelo Esteves a Eli Vieira e também da resposta de José Geraldo Gouvêa a Eli Vieira, e por extensão a Daniel Sottomaior. Os confrontos continuam em larga escala. O cenário é aterrador, mas o moral dos beligerantes não se abate.

 

Bom, agora vou falar mais sério sobre o assunto. Se alguém se incomodou com a brincadeira do diário de batalha, foda-se você também.

Essa “guerra” toda é uma miscelânea de algumas reclamações justas e um grande conflito de egos entre os “beligerantes”. O paralelo com as Guerras Mundiais é bem pertinente, visto que a segunda origina-se de questões não resolvidas da primeira em ambos os casos. Devo dizer que o texto de José Geraldo Gouvêa se destaca por não estar metido nessa rixa, e sim refutando pontos das outras “batalhas”, e nisto desempenhou um papel excelente.

 

Desejo quero fazer algumas considerações sobre os “beligerantes”.

Primeiramente, aos anti-Bule: há uma grande confusão feita a respeito do propósito da LiHS como um todo. O Bule Voador NÃO É um blog ateu, e sim um blog HUMANISTA, mesmo tendo ateus na esmagadora maioria de sua composição. Pode parecer óbvio para mim, mas pelo jeito não é. Entendendo este ponto ESSENCIAL, podemos entender atitudes como abrir espaço humanistas religiosos. Dentro dessa proposta, não há problemas com isso. Posso estar redondamente enganado, mas assim me parece e me pareceu com todas as pessoas que me consultei.

Sobre o “elitismo buleano” e o “faCismo”: compactuo com a opinião de Gregory Gaboardi: “Se for a casta dos ateus que pensam sobre o ateísmo, então realmente estarei criando uma casta. E não sinto culpa nenhuma neste caso”. Eu não vejo tão deflagrada assim a criação de uma “casta”, mas se é elitista buscar uma reflexão melhor dos seus próprios valores, entendê-los a fundo, e instigar outros a fazer isso, talvez ser “elitista” não seja algo tão ruim.

Agora, a Eli Vieira: sua explicação de que ateísmo é uma crença não me convenceu. Não tenho também provas do contrário, mas após ver que José Geraldo Gouvêa expôs seu uso parcial (no sentido literal da palavra) de uma fonte e rejeitar a definição de ateísmo fraco como ateísmo, acredito que essa posição esteja em xeque. Tendo tudo isso em vista, prefiro utilizar a definição mais corrente de ateísmo: a descrença em divindades OU [inclusivo] a crença na não-existência de divindades. Ademais, como diz o próprio nome da comédia de Shakespeare, “Much Ado About Nothing” (muito barulho por nada). Tudo isso por causa da definição de uma palavra?

Segundo essa definição, como aponta Eli Vieira, temos consequências sem sentido como pedras ateias, certo? Errado. Até onde sabemos, pedras não pensam, então não acreditam ou deixam de acreditar. Mas também chegamos a um ponto: ser ateu por ser ateu significa MERDA NENHUMA!!! Se você acredita na existência de divindades ou não, grande coisa. Mas isso não é justificativa para retalhar a definição de ateísmo e incluir apenas os que “significam algo”.

Por último, quanto às acusações de censura no Bule Voador: eu não sei muito sobre isso, até porque não tenho saco para ficar acompanhando esse tipo de coisa, mas o número de relatos sobre isso dá “pulga atrás da orelha”. Veja bem, não estou dizendo que é automaticamente verdade porque muita gente disse que é, mas sim que é algo para se pensar.

 

Enfim, aqui está minha intromissão no assunto. Por que fiz isso? Porque eu quero, e também porque eu posso. LOL

Muito obrigado por tudo, ateus imbecis!

Eu até pensei em escrever sobre o câncer do Lula, mas esse assunto acabou me chamando mais a atenção.

 

[PAUSA PARA VOCÊS SE ESTRANHAREM COM O TÍTULO]

 

Recentemente passei por uma situação que me fez pensar melhor sobre certas coisas. Foi o seguinte: o twitter @ateus_atentos deu RT em uma pessoa reclamando de uma pizzaria que colocava mensagem religiosa na caixa de pizza e comentei sobre uma padaria aqui perto que coloca o Pai Nosso no saco de pão. E olhem só o que aconteceu:

Se esse twitter realmente for do Daniel Sottomaior, devo dizer que fiquei muito decepcionado. Admiro bastante seu trabalho com a ATEA em divulgar que ateus são como qualquer outra pessoa e merecem o mesmo respeito, e fazendo isso de forma respeitosa e educada, tendo até o reconhecimento de não-ateus. Que é exatamente o contrário do que foi feito aqui.

Em primeiro lugar, me diga: onde fui tão oprimido e humilhado com esse saco de pão? O espaço é particular, o dono tem o direito de fazer isso. Fiz uma breve pesquisa com amigos teístas e frequentadores de igreja e nenhum deles se recusaria a frequentar uma padaria onde viesse escrito no saco de pão “Allah akbar”, “Odin é grande” ou “Louvado seja o Monstro de Espaguete Voador”. Por que eu deveria me sentir incomodado com isso? Não foi algo ofensivo, como “aqui só entra quem tem Deus no coração”. Isso sim seria digno de um boicote.

E mais: acha que eu sou um molenga que faz nada para melhorar a situação dos ateus? Então vai lá comprar pão pra mim na puta que o pariu!

 

Esse é exatamente o tipo de desserviço que nós NÃO precisamos. Quanto mais babacas desse tipo aparecerem, mais contribuem para a manutenção do estereótipo do ateu ranzinza que odeia os religiosos e ninguém quer por perto. É disso mesmo que precisamos. VALEU!!!

Sobre o certo e o justo

Como magistralmente definiu o pai do guitarrista da minha banda, “Comer a buceta é certo mas não é justo, e comer o cu é  justo mas não é certo”. E assim caímos naquele ponto que sempre intriga os religiosos: como definir o que é certo sem Deus?

Há umas duas semanas conheci uma garota esclarecida, que não achou que tenho um pentragrama invertido com um Baphomet desenhado dentro e velas pretas no chão do meu quarto quando falei que sou ateu. Mais uma demonstração de quanto eu conheço gente legal, diga-se de passagem. E após isso tivemos uma breve conversa sobre moralidade, que prometi desenvolver melhor aqui. Demorei tudo isso mas finalmente fiz!

Bom, podemos definir uma moral objetiva de uma forma aparentemente simples: é tudo aquilo que trás sofrimento para menos pessoas. Mas é claro que não é tão simples assim. Como definir o que causa ou não sofrimento? Como calcular o sofrimento causado? E estamos falando de algo subjetivo, então não é objetivo…

Então vamos pensar um pouco nas raízes da moralidade. Uma das coisas que nos faz ser bons é a empatia. Há um motivo evolutivo bem forte para existir empatia, e não é difícil de entender. As pessoas que não se ajudavam na selva iam morrendo, e assim a empatia foi selecionada na população. Também podemos entender facilmente por que ser bom com os outros é bom. Você gostaria de viver em um mundo onde não podemos confiar em ninguém e temos que estar com a guarda alta o tempo todo? Pois é, nem eu. E não importa o quanto falam que os bonzinhos só se ferram, as pessoas gostam de pessoas boas e confiáveis.

Mas pensando bem, tudo isso não é altruísmo de verdade. Existe algum motivo para realmente querer ser bom sem esperar nada em troca? Não. O único motivo é você achar isso bonito. E tem coisas que nós fazemos sem motivo aparente, só porque é bonito. E mesmo sendo um racionalista, não vejo problema algum nisso. Desde que não te atrapalhe, faça a vontade.

Eu mesmo me dou ao luxo de cultivar esse tipo de hábito. Me considero um cavaleiro do século XXI, e não coloco aspas. Assim como diz o primeiro artigo da Lei Escoteira, minha honra é mais importante que minha própria vida. Talvez não literalmente, devo admitir, mas com certeza deixo de fazer certas coisas que poderiam me beneficiar ou resolver meus problemas de forma mais rápida em nome da minha honra. E não tenho muito problema em fazer isso.

E vocês, quais as suas “extravagâncias” nesse sentido?

Humanismo e potes de chá

Fico muito triste quando vejo ateus brigando com outros ateus. Nós já somos uma minoria e sofremos discriminação, principalmente na forma de invisibilidade e ignorância pura do cidadão brasileiro médio. E além de tudo isso, encontram motivos para segregar ateus.

Ontem um post do Bule Voador causou bastante polêmica, tanto em seus comentários quanto dentro do grupo Livres Pensadores. O ponto principal da controvérsia é o seguinte: esse texto estaria discriminando ateus, dizendo que todos devem ser humanistas e os que não o são valem nada.

Primeiramente, gostaria de falar mais a fundo sobre o humanismo propriamente dito, o que curiosamente nunca fiz no meu blog HUMANISTA.

O Humanismo é uma corrente filosófica que propõe colocar o humano no centro das preocupações da própria humanidade e da filosofia em si. Este movimento filosófico se iniciou no Renascimento, quando o teocentrismo medieval foi substituído pelo antropocentrismo. Apesar de existirem humanistas religiosos e até teístas, a religião jamais pode se colocar como um obstáculo ao desenvolvimento da humanidade (até porque se isso acontecer, entramos em uma contradição).

Ser humanista é colocar a humanidade no centro de suas próprias preocupações, lutar para resolver seus problemas, confiar em seu potencial para superar, inovar, vencer obstáculos e florescer. Ajudar o próximo para que todos possamos crescer juntos em um lugar melhor, construir esse sonho. Orientar esse esforço com base em uma moral objetiva, que vise o bem-estar da própria humanidade e a minimização do sofrimento sem se prender a livros milenares violentos e tradições cruéis e sem sentido. Se você tem esses objetivos e luta para cumprí-los, você é humanista. Não importa como tentem te rotular dentro do humanismo, ou qual regra tentem colocar para você poder fazer parte de uma determinada associação humanista. No máximo, você não poderá fazer parte desse clubinho. Mas como já disse no meu post anterior, você realmente precisa pertencer ao clubinho? E se falam que você não pode entrar lá, que você não é um verdadeiro humanista, esse clubinho merece que você seja membro mesmo?

Uma boa representação do humanismo, como já comentei antes, é o Star Trek (a.k.a. Jornada nas Estrelas). A própria missão da Enterprise é humanista: “ir bravamente onde nenhum homem jamais esteve”. Essa vontade de conhecer, explorar, desbravar, é uma das maiores motivações dos humanistas. E ao longo dessa jornada, a tripulação espalha seu humanismo nos diversos planetas visitados, onde encontram toda sorte de povos venerando deuses falsos que trazem grandes danos a eles mesmos, os quais são sempre desmascarados por nossos intrépidos heróis e o povo é liberto da opressão.

Capitão James T. Kirk, um humanista popstar (para os nerds, claro)

Mas algum pessimista da humanidade pode dizer:

Os humanos são um câncer, são piores que o cocô de qualquer animal, por que lutar por essa raça nojenta?

E a minha resposta é simples. Realmente podemos ser sacos de estrume que destroem seu próprio lar e matam a si mesmos. Então, o que devemos fazer? Sentar e chorar? Nos extinguir?* Admitir nosso fracasso e deixar tudo do jeito que está? NÃO!!!

Mesmo se tudo isso for verdade (por um ponto de vista é, mas existem tantas outras formas de ver o mesmo problema…), nós ainda somos humanos e ainda temos vontade de ser pessoas boas e viver em um mundo bom. Então devemos lutar por nós mesmos, ajudar nossos semelhantes e construir uma realidade melhor onde nós mesmos vamos viver.

E assim, ao meu ver não existe motivo para alguém não ser humanista. Estou dizendo que todo mundo devia ser humanista? Não, de forma alguma. Só não entendo. Quem quiser me explicar, por favor! E quem não quiser tudo bem, só vou continuar sem entender por que você não é humanista mesmo e me sentindo no direito de dizer que não vejo motivos para alguém não ser humanista.

E agora, voltando ao post do Bule. A grande controvérsia foi sobre esse dizer que se você é ateu e não é humanista, você não é melhor que, digamos, um cristão humanista. E por um lado eu concordo. Ser ateu virou moda, tem muito ateu hoje que é só um adolescente revoltado (e isso inclui adolescentes de 30+ anos, o tipo mais ridículo que existe), mas que ainda sim é homofóbico, racista, xenofóbico, entre outros. E tem muito teísta dando um banho de tolerância e compreensão sobre esses tipinhos.

Mas chegou um ponto em que o texto deu uma derrapada, ao dizer que existem certos conceitos indiscutíveis. E pior, continuar afirmando isso nos comentários. Ficava uma situação bem esquisita, algo como “não é dogma nem doutrina, só tem certas coisas que nunca podem ser discutidas”. E esse assunto vou desenvolver melhor no próximo post.

 

VEJA O POST SEGUINTE AQUI!!!

 

* Esse movimento de extinção voluntária da humanidade é uma das coisas mais insanas que já vi na minha vida. Páreo duro com o veganismo, a cientologia e as teorias conspiratórias sobre Elvis e a ida do homem à Lua.

Por que preciso pertencer?

Vocês devem estar habituados a minha displicência com minhas postagens, não?

Pois então, há duas semanas atrás estive em uma festa junina da minha família que acabou se tornando um quentão / vinho quente filosófico (venhamos e convenhamos, muito mais interessante que café filosófico. A menos que este contenha conhaque). Acabamos discutindo sobre religião, ateísmo, humanismo e coisas do gênero. À mesa tínhamos além de mim um ateu (biólogo, por sinal. O Dawkins da mesa, de uma certa forma…), uma espírita e uma sem religião, mas com sua espiritualidade. Nesta última focarei minha discussão. Em um certo ponto ela disse mais ou menos assim:

Eu ando me identificando com o espiritismo, mas mesmo assim não consigo aceitar tudo. As vezes acho que falta disciplina para seguir uma religião…

E aqui seguem minhas considerações sobre isso:

Em primeiro lugar, ninguém deve se culpar por “não ter disciplina para seguir uma religião”. Muito pelo contrário, isso é ótimo! Quem faz o seu caminho é VOCÊ, e mais ninguém! As suas vivências, a sua observação, as suas soluções. Principalmente em um assunto subjetivo como esse.

Você deve fazer seu caminho. Diferentemente da União Soviética, onde o caminho faz VOCÊ!!

Eis um exemplo de uma livre-pensadora que ainda não sabe que o é. É uma coisa engraçada essa necessidade de pertencer, seguir uma doutrina, uma ideologia. E sei que não estou livre disso.

Por muito tempo debulhei as escolas filosóficas e algumas religiões orientais, como o taoísmo, tentando encontrar uma onde me encaixo. E um dia encontrei o humanismo. Me identifiquei na hora com essa luta pela humanidade, por uma vida melhor para todos. E ainda mais com a descrição que o autor do livro de filosofia fez, onde descobri que Star Trek, com seus deuses falsos que sempre atrapalham as pessoas e o ideal de “ir bravamente onde nenhum homem jamais esteve”, é completamente humanista. O escotismo também foi algo muito significativo nessa “jornada” para pertencer. Encontrei uma ordem com código de honra, simbologia, tradição, praticamente uma ordem de cavalaria. Mas ao contrário das ordens militares religiosas, um lugar onde sou aceito*.

Mas fico pensando: por que sentimos essa necessidade? Ou melhor, por que alguns sentem? Sei que outros não, e até muito pelo contrário, têm repulsa de participar de uma ordem ou seguir uma ideologia.

Tenho aqui minha teoria. Isso é de certa forma uma vontade de ter companhia, de se sentir aceito e acolhido. Mas com o advento da Internet [1999 feelings] isso não é mais necessário. Podemos nos encontrar em grupos de discussão que se reúnem justamente em torno do livre pensamento, olha só que lindo!

Então é isso, não tenham medo de não seguir. Lembrem-se sempre que não importa o que vocês queiram seguir ou deixar de seguir, tem maluco pra tudo vocês não estão sozinhos.

* De certa forma não sou, porque um dos deveres do escoteiro é para com Deus. Mas tem uma “gambiarra” aí: também são aceitos como deuses o Cosmos, a natureza, a coletividade, whatever. Pra mim isso não é deus, então a rigor eu sou ateu. Mas tenho meu comprometimento com a coletividade. Problema resolvido!