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Sobre o certo e o justo

Como magistralmente definiu o pai do guitarrista da minha banda, “Comer a buceta é certo mas não é justo, e comer o cu é  justo mas não é certo”. E assim caímos naquele ponto que sempre intriga os religiosos: como definir o que é certo sem Deus?

Há umas duas semanas conheci uma garota esclarecida, que não achou que tenho um pentragrama invertido com um Baphomet desenhado dentro e velas pretas no chão do meu quarto quando falei que sou ateu. Mais uma demonstração de quanto eu conheço gente legal, diga-se de passagem. E após isso tivemos uma breve conversa sobre moralidade, que prometi desenvolver melhor aqui. Demorei tudo isso mas finalmente fiz!

Bom, podemos definir uma moral objetiva de uma forma aparentemente simples: é tudo aquilo que trás sofrimento para menos pessoas. Mas é claro que não é tão simples assim. Como definir o que causa ou não sofrimento? Como calcular o sofrimento causado? E estamos falando de algo subjetivo, então não é objetivo…

Então vamos pensar um pouco nas raízes da moralidade. Uma das coisas que nos faz ser bons é a empatia. Há um motivo evolutivo bem forte para existir empatia, e não é difícil de entender. As pessoas que não se ajudavam na selva iam morrendo, e assim a empatia foi selecionada na população. Também podemos entender facilmente por que ser bom com os outros é bom. Você gostaria de viver em um mundo onde não podemos confiar em ninguém e temos que estar com a guarda alta o tempo todo? Pois é, nem eu. E não importa o quanto falam que os bonzinhos só se ferram, as pessoas gostam de pessoas boas e confiáveis.

Mas pensando bem, tudo isso não é altruísmo de verdade. Existe algum motivo para realmente querer ser bom sem esperar nada em troca? Não. O único motivo é você achar isso bonito. E tem coisas que nós fazemos sem motivo aparente, só porque é bonito. E mesmo sendo um racionalista, não vejo problema algum nisso. Desde que não te atrapalhe, faça a vontade.

Eu mesmo me dou ao luxo de cultivar esse tipo de hábito. Me considero um cavaleiro do século XXI, e não coloco aspas. Assim como diz o primeiro artigo da Lei Escoteira, minha honra é mais importante que minha própria vida. Talvez não literalmente, devo admitir, mas com certeza deixo de fazer certas coisas que poderiam me beneficiar ou resolver meus problemas de forma mais rápida em nome da minha honra. E não tenho muito problema em fazer isso.

E vocês, quais as suas “extravagâncias” nesse sentido?