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Filosofia?

E aí galera, beleza? Dessa vez vou fazer um post bem diferente, bem pessoal e descontraído. É uma resposta a um amigo meu da Skynerd, o RubensKaboom, que tem um canal de games no YouTube e começou uma série para falar sobre tudo. Mais ou menos o que eu faço aqui no meu blog, mas menos político, mais descontraído e com um jogo rolando no fundo. E ele começou logo falando de como filosofar ajudou a vida dele e os obstáculos que ele superou na vida até então. Decidi fazer uma resposta e falar sobre a minha vida, por que não?

Minha vida foi muito parecida com a sua, Rubens. Eu era uma pessoa bem isolada até uns 12-13 anos, era bem esquisito, brincava sozinho, me recusava a socializar, o pouco que eu tinha de contato era horrível, sofria bullying, cheguei a ser bastante misantrópico por uns tempos: com exceção da minha família e algumas poucas pessoas fora dela, eu odiava pessoas e queria fugir para uma caverna. Mas foi mais ou menos aí que comecei a conhecer pessoas pela internet, enquanto jogava. Algumas dessas amizades mantenho até hoje, depois de 6, 7 anos. São pessoas que me ajudaram bastante, que também passaram por problemas parecidos e me contaram um pouco como superaram, o que eu poderia fazer para superar.

Uma boa parte dessa superação eu contei em outro post, que foi a minha visão dos relacionamentos, do amor e do sexo. Esse foi e ainda é um dos maiores problemas que eu enfrento. Tenho meus problemas de auto-estima, minhas “frescuras” para conhecer pessoas e me envolver de uma forma mais leve e casual, mas no geral posso afirmar que deixei muito para trás.

E claro, a filosofia foi importante em tudo isso. Aprender sobre os filósofos, ter acesso a esse tipo de questionamento, até mesmo o próprio jargão filosófico, faz você pensar de forma mais profunda sobre tudo que está ao seu redor. Por mais bizarro que pareça, tanto o epicurismo e o estoicismo foram essenciais para eu ficar em calma comigo mesmo. Do estoicismo aprendi a aceitar que algumas coisas estão fora do meu controle, podem acabar sendo maiores que eu, e a única coisa que posso fazer é resistir e não gastar minhas energias com o que não posso mudar. Já do epicurismo, que certos “prazeres” são artificiais, são apenas coisas que os outros dizem ser boas, mas que não me darão satisfação pessoal, e eu devo procurar atender aos meus desejos verdadeiros, simplificar a minha vida e apreciar as pequenas coisas que nos cercam.

Tudo isso foi mais intenso com a internet, em contato com pessoas que talvez eu nunca conhecesse de outra forma. Depois entrei em outros meios, primeiro no ateísmo, de lá tive contato com o feminismo e ampliei meu conhecimento sobre o socialismo, fiz outros ótimos amigos e até encontrei minha primeira namorada por lá. Uma nova série de contatos com pessoas que puderam me acrescentar coisas novas e enriquecer ainda mais a minha experiência.

Enfim, o que eu posso dizer é que te entendo e me identifico muito com você. E sabe essa coisa de ser “o Super-Homem”? Eu tinha, mas era um pouco pior: eu queria ser rei. Sério. Imagina o quando eu não sofri pra descobrir que isso é impossível e até injusto hoje…

Associação do Livre Voador

Para quem esperava um post de mais alto nível como os outros, foda-se me desculpe.

Devo ser muito burro mesmo por me prestar a falar sobre esse assunto, mas já que eu sou burro, hoje é domingo e eu tenho nada melhor para fazer, vamos lá.

 

Testemunhamos nesta semana mais um cenário da Segunda Guerra Buleana, a Campanha Paulopesiana. Segue o diário de campanha:

Protejam-se em suas trincheiras, a guerra está solta!

O campo de batalha é o Paulopes Weblog. Toda a movimentação da campanha aconteceu neste.

Dia 0: . Publicação de um texto de Daniel Sottomaior em resposta a uma crítica de Ives Gandra sobre o “fundamentalismo ateu”.

Dia 1: Publicação de uma resposta de Eli Vieira ao texto do dia anterior.

Dia 2: Os confrontos se estendem ao próximo dia, mas sem acontecimentos notáveis. Configura-se uma “terra de ninguém” entre as linhas dos beligerantes.

Dia 3: Publicação de uma resposta de Marcelo Esteves a Eli Vieira e também da resposta de José Geraldo Gouvêa a Eli Vieira, e por extensão a Daniel Sottomaior. Os confrontos continuam em larga escala. O cenário é aterrador, mas o moral dos beligerantes não se abate.

 

Bom, agora vou falar mais sério sobre o assunto. Se alguém se incomodou com a brincadeira do diário de batalha, foda-se você também.

Essa “guerra” toda é uma miscelânea de algumas reclamações justas e um grande conflito de egos entre os “beligerantes”. O paralelo com as Guerras Mundiais é bem pertinente, visto que a segunda origina-se de questões não resolvidas da primeira em ambos os casos. Devo dizer que o texto de José Geraldo Gouvêa se destaca por não estar metido nessa rixa, e sim refutando pontos das outras “batalhas”, e nisto desempenhou um papel excelente.

 

Desejo quero fazer algumas considerações sobre os “beligerantes”.

Primeiramente, aos anti-Bule: há uma grande confusão feita a respeito do propósito da LiHS como um todo. O Bule Voador NÃO É um blog ateu, e sim um blog HUMANISTA, mesmo tendo ateus na esmagadora maioria de sua composição. Pode parecer óbvio para mim, mas pelo jeito não é. Entendendo este ponto ESSENCIAL, podemos entender atitudes como abrir espaço humanistas religiosos. Dentro dessa proposta, não há problemas com isso. Posso estar redondamente enganado, mas assim me parece e me pareceu com todas as pessoas que me consultei.

Sobre o “elitismo buleano” e o “faCismo”: compactuo com a opinião de Gregory Gaboardi: “Se for a casta dos ateus que pensam sobre o ateísmo, então realmente estarei criando uma casta. E não sinto culpa nenhuma neste caso”. Eu não vejo tão deflagrada assim a criação de uma “casta”, mas se é elitista buscar uma reflexão melhor dos seus próprios valores, entendê-los a fundo, e instigar outros a fazer isso, talvez ser “elitista” não seja algo tão ruim.

Agora, a Eli Vieira: sua explicação de que ateísmo é uma crença não me convenceu. Não tenho também provas do contrário, mas após ver que José Geraldo Gouvêa expôs seu uso parcial (no sentido literal da palavra) de uma fonte e rejeitar a definição de ateísmo fraco como ateísmo, acredito que essa posição esteja em xeque. Tendo tudo isso em vista, prefiro utilizar a definição mais corrente de ateísmo: a descrença em divindades OU [inclusivo] a crença na não-existência de divindades. Ademais, como diz o próprio nome da comédia de Shakespeare, “Much Ado About Nothing” (muito barulho por nada). Tudo isso por causa da definição de uma palavra?

Segundo essa definição, como aponta Eli Vieira, temos consequências sem sentido como pedras ateias, certo? Errado. Até onde sabemos, pedras não pensam, então não acreditam ou deixam de acreditar. Mas também chegamos a um ponto: ser ateu por ser ateu significa MERDA NENHUMA!!! Se você acredita na existência de divindades ou não, grande coisa. Mas isso não é justificativa para retalhar a definição de ateísmo e incluir apenas os que “significam algo”.

Por último, quanto às acusações de censura no Bule Voador: eu não sei muito sobre isso, até porque não tenho saco para ficar acompanhando esse tipo de coisa, mas o número de relatos sobre isso dá “pulga atrás da orelha”. Veja bem, não estou dizendo que é automaticamente verdade porque muita gente disse que é, mas sim que é algo para se pensar.

 

Enfim, aqui está minha intromissão no assunto. Por que fiz isso? Porque eu quero, e também porque eu posso. LOL

Alegações extraordinárias exigem provas extraordinárias

E aí pessoal, vamos falar de epistemologia? Acredito que esse é um assunto sempre bom de se dar alguns toques, juntamente com falácias.

Muitas vezes as pessoas não entendem direito o que pode ser ou não uma prova. E um dos maiores motivos para isso é a falta de conhecimentos estatísticos, que não permite ir muito além do senso comum.

Conjecturemos: suponhamos que um marinheiro relate ter visto o Kraken no Pacífico Norte. Após uma semana, surgem mais 100 relatos similares, juntamente com uma suposta fotografia. Devemos acreditar que o Kraken existe? Pode ser tentador dizer diferente, mas a resposta correta é: não.

Analisemos a situação. 100 relatos em uma semana parece bastante coisa para uma pessoa destreinada. Mas qual é o tráfego diário de navios pelo Pacífico Norte? Eu infelizmente não consegui encontrar dados sobre isso, mas considerando que essa é a rota entre Estados Unidos e Japão, tenho certeza de que passam por lá mais de 100 navios por dia.

Ah, mas tinha fotos! Aconteceu!

Ah, é? Então nem precisava, já provamos a existência do Kraken faz tempo! Olha aqui:

Então o que seria uma “prova extraordinária”?

Bom, se tivéssemos 100 relatos no mesmo dia, talvez já fosse algo a se considerar. Não sei, precisaria saber o quanto isso representa do tráfego diário da área. Se esses relatos se mantivessem consistentes e constantes, acompanhados de perdas nas frotas imagens que passassem em testes de autenticidade, talvez já fosse algo digno de uma investigação. Outra evidência forte seria a ocorrência de vários relatos simultâneos em ecossistemas marinhos semelhantes, ou de alguma forma conectados (por exemplo, adjacentes a uma mesma corrente marítima). E claro, sempre temos que descartar avistamentos de polvos grandes ou outros animais que pudessem ser confundidos com o Kraken, e é essencial levar em conta o fato de que o alto-mar, especialmente em navios cargueiros realizando viagens muito longas, não é o mais agradável dos ambientes, e as chances de alucinação, inclusive coletiva, da tripulação são consideráveis.

 

Essa é uma área que abre espaço para muito charlatanismo. Quem não se lembra do icônico pastor Josué Yrion?

Segundo a notícia do Washington Post apresentada no vídeo, 700 jovens no Japão foram hospitalizados em um dia por jogar um Nintendo assistir um episódio de Poken Monster Pokemon. Sob um olhar destreinado, parece coincidência demais. E de fato não foi mera coincidência, mas com certeza tem muita gente comprando rapidinho a hipótese do chifronésio. Temos diante de nós duas hipóteses:

  1. O episódio apresentava certos efeitos de cores que causavam reações adversas nos expectadores
  2. DEMÔNIO!!!

Lembrando que muitos jogos, filmes e desenhos animados inclusive trazem em suas embalagens avisos para portadores de epilepsia, podemos facilmente aplicar a Navalha de Ockham (falo mais sobre isso depois, é o “sucessor espiritual” deste post) e descartar a hipótese 2. Viu só? Não doeu nem arrancou pedaço!