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Homenagem à Humanidade

Hoje estava pensando um pouco sobre o sentido da expressão “humanamente possível”, e acabei chegando nesta pequena ode (se é que dá pra chamar assim). Então vou tirar meu blog do limbo com algo um pouco diferente pra vocês. Confiram!

Podemos viajar milhares de quilômetros em um dia. Salvar pessoas que sangraram praticamente até a morte. Fazer uma pessoa que não tem rins sobreviver. Produzir alimentos em abundância para bilhões de pessoas. Produzir roupas para todas as pessoas do mundo em dias. Alimentar um grupo de milhares de pessoas por meses sem uma fonte fresca de alimentos. Levar uma mesma mensagem para milhões ao mesmo tempo. Destruir uma montanha em minutos. Explorar o fundo do mar a centenas de metros de profundidade. Sair do nosso planeta e voltar para contar a história. Devolver a visão para pessoas praticamente cegas. Reparar cicatrizes desfigurantes.

E então eu me pergunto: qual o verdadeiro sentido da expressão “humanamente possível”?

Meu posicionamento político e econômico

Desde o início deste blog eu já tinha uma ideia de posicionamento político (que já mudou consideravelmente, diga-se de passagem), mas não tinha muito clara qual seria a minha proposta. Vim amadurecendo-a nesse meio tempo, e hoje já tenho um projeto mais claro. Ainda está em estágio bem preliminar, ou assim espero, porque eu ainda tenho só 18 anos e todo um curso de economia pela frente…

Então sem mais delongas, vamos lá:

Resultado

Meu "politicômetro", bem pertinente de ser lembrado agora

Meu projeto é  essencialmente o que se pode chamar de “esquerdista”, apesar desse tipo de separação entre “esquerda” e “direita” ser um tanto oca nos dias de hoje. Concordo com a máxima marxista de “de cada qual, de acordo com suas habilidades; a cada qual, de acordo com suas necessidades”, mas sem seguir estritamente alguma “cartilha” que eu já tenha lido, e fazendo um apanhado de outras ideias que considero boas.

Economia

Vejo como o maior problema do capitalismo como é conduzido hoje o corporativismo. Grandes corporações fazem práticas como monopólios e cartéis, que efetivamente destroem o livre mercado (uma ideia essencialmente boa) e acabam prejudicando o consumidor com preços abusivos e serviços de qualidade inferior. É também pelo mesmo motivo que também sou contra a economia completamente subjugada ao Estado.

Na minha visão ainda de leigo interessado por economia,vejo a liberdade irrestrita de mercado como insustentável. Como trata-se de uma competição, alguém vai acabar ganhando. Quando isso acontecer, esse vencedor terá um enorme poder econômico, e consequentemente político, por meio do famigerado lobby, e exercerá controle. Desta forma, novos concorrentes dificilmente conseguirão estar a altura, e assim a liberdade do mercado está ameaçada. Assim, vejo como importante a presença de um incentivo estatal para novas empresas e uma regulamentação forte contra práticas como monopólios e cartéis, para garantir a continuidade da competição, e assim manter altos os padrões de qualidade dos serviços prestados. (Apesar de eu preferir a cooperação à competição, percebo que é ingênuo imaginar que uma sociedade cooperativa funcionaria hoje, da mesma forma que considero ingênuo achar que anarquia funcionaria hoje, apesar de ser na minha opinião a meta para a humanidade.)

Também vejo a especulação como uma prática bastante negativa, além de considerar indigno alguém criar dinheiro simplesmente comprando e vendendo papéis. Acredito que a especulação deveria ser exterminada. Inclusive, puxando para o lado social, acredito que uma solução razoável seria proibir que proprietários mantivessem um terreno fechado por períodos muito longos, sendo obrigados a alugar, vender ou encontrar uma solução parecida. Isso também poderia resolver o défict habitacional, aumentando a oferta de terrenos e assim diminuindo os preços.

Política

Se ele tivesse dito "Fodeu!" em um pronunciamento público, hoje isso seria uma frase histórica.

Citando Winston Churchill, “a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as outras formas que tem sido tentadas de tempos em tempos”. A democracia representativa é a forma de governo melhor consolidada que existe hoje, e acredito que deveria continuar sendo utilizada, mas visando uma transição para a democracia direta, na qual as próprias pessoas poderiam votar diretamente nas decisões, como já acontece em plebiscitos e referendos, mas tornando-os cada vez mais frequentes.

Acredito que os políticos, principalmente os parlamentares, deveriam ser apenas representantes, e não políticos profissionais. O político deveria ser tratado da forma como ele é atualmente na Suécia. O vídeo abaixo (OLD, mas não menos excelente por isso) demonstra perfeitamente.

Também defendo que a eleição de parlamentares deveria ser feita diretamente pelo número de votos, e não com esses  mecanismos de “puxar votos” para um determinado partido.

 

Sociedade e Estado

Como já deve ter ficado bem claro no restante dos meus posts, e até mesmo neste, não defendo o estado mínimo, mas também considero ineficiente um modelo completamente estatizado. As funções que deveriam caber ao Estado na minha opinião seriam garantir para todos os cidadãos em dia com suas obrigações cívicas saúde, educação, segurança, saneamento, acesso a comunicações e eletricidade, além de oferecer subsídios para alimentação e habitação a cidadãos necessitados.

A implantação de infra-estrutura de saneamento, transporte, eletricidade e comunicações seria feita pelo Estado, mas sua manutenção e o oferecimento desse serviço para o cliente final seria feito por meio de empresas privadas, desde que houvesse uma concorrência real entre empresas. Por exemplo, não existe concorrência em concessões de estradas, porque dificilmente alguém mudaria de caminho porque está insatisfeito com o serviço da concessionária de determinada estrada (isso quando não é impossível evitar uma empresa completamente, e.g. quando esta controla todas as estradas de uma região). Também não há concorrência quando apenas uma companhia de eletricidade ou saneamento detém a concessão de uma cidade inteira, ou quando uma linha de transporte público é detida por apenas uma empresa (e geralmente é pior ainda, pois é formado um cartel com todas as empresas de transporte público de uma cidade).

 

Conclusão

Essa é a opinião que eu, ainda como leigo meramente interessado por política e economia, tenho a respeito de como seria um bom sistema político e econômico. Como disse no início, ainda tenho muito pela frente e imagino que muita coisa mudará, assim como muito já mudou antes.

Associação do Livre Voador

Para quem esperava um post de mais alto nível como os outros, foda-se me desculpe.

Devo ser muito burro mesmo por me prestar a falar sobre esse assunto, mas já que eu sou burro, hoje é domingo e eu tenho nada melhor para fazer, vamos lá.

 

Testemunhamos nesta semana mais um cenário da Segunda Guerra Buleana, a Campanha Paulopesiana. Segue o diário de campanha:

Protejam-se em suas trincheiras, a guerra está solta!

O campo de batalha é o Paulopes Weblog. Toda a movimentação da campanha aconteceu neste.

Dia 0: . Publicação de um texto de Daniel Sottomaior em resposta a uma crítica de Ives Gandra sobre o “fundamentalismo ateu”.

Dia 1: Publicação de uma resposta de Eli Vieira ao texto do dia anterior.

Dia 2: Os confrontos se estendem ao próximo dia, mas sem acontecimentos notáveis. Configura-se uma “terra de ninguém” entre as linhas dos beligerantes.

Dia 3: Publicação de uma resposta de Marcelo Esteves a Eli Vieira e também da resposta de José Geraldo Gouvêa a Eli Vieira, e por extensão a Daniel Sottomaior. Os confrontos continuam em larga escala. O cenário é aterrador, mas o moral dos beligerantes não se abate.

 

Bom, agora vou falar mais sério sobre o assunto. Se alguém se incomodou com a brincadeira do diário de batalha, foda-se você também.

Essa “guerra” toda é uma miscelânea de algumas reclamações justas e um grande conflito de egos entre os “beligerantes”. O paralelo com as Guerras Mundiais é bem pertinente, visto que a segunda origina-se de questões não resolvidas da primeira em ambos os casos. Devo dizer que o texto de José Geraldo Gouvêa se destaca por não estar metido nessa rixa, e sim refutando pontos das outras “batalhas”, e nisto desempenhou um papel excelente.

 

Desejo quero fazer algumas considerações sobre os “beligerantes”.

Primeiramente, aos anti-Bule: há uma grande confusão feita a respeito do propósito da LiHS como um todo. O Bule Voador NÃO É um blog ateu, e sim um blog HUMANISTA, mesmo tendo ateus na esmagadora maioria de sua composição. Pode parecer óbvio para mim, mas pelo jeito não é. Entendendo este ponto ESSENCIAL, podemos entender atitudes como abrir espaço humanistas religiosos. Dentro dessa proposta, não há problemas com isso. Posso estar redondamente enganado, mas assim me parece e me pareceu com todas as pessoas que me consultei.

Sobre o “elitismo buleano” e o “faCismo”: compactuo com a opinião de Gregory Gaboardi: “Se for a casta dos ateus que pensam sobre o ateísmo, então realmente estarei criando uma casta. E não sinto culpa nenhuma neste caso”. Eu não vejo tão deflagrada assim a criação de uma “casta”, mas se é elitista buscar uma reflexão melhor dos seus próprios valores, entendê-los a fundo, e instigar outros a fazer isso, talvez ser “elitista” não seja algo tão ruim.

Agora, a Eli Vieira: sua explicação de que ateísmo é uma crença não me convenceu. Não tenho também provas do contrário, mas após ver que José Geraldo Gouvêa expôs seu uso parcial (no sentido literal da palavra) de uma fonte e rejeitar a definição de ateísmo fraco como ateísmo, acredito que essa posição esteja em xeque. Tendo tudo isso em vista, prefiro utilizar a definição mais corrente de ateísmo: a descrença em divindades OU [inclusivo] a crença na não-existência de divindades. Ademais, como diz o próprio nome da comédia de Shakespeare, “Much Ado About Nothing” (muito barulho por nada). Tudo isso por causa da definição de uma palavra?

Segundo essa definição, como aponta Eli Vieira, temos consequências sem sentido como pedras ateias, certo? Errado. Até onde sabemos, pedras não pensam, então não acreditam ou deixam de acreditar. Mas também chegamos a um ponto: ser ateu por ser ateu significa MERDA NENHUMA!!! Se você acredita na existência de divindades ou não, grande coisa. Mas isso não é justificativa para retalhar a definição de ateísmo e incluir apenas os que “significam algo”.

Por último, quanto às acusações de censura no Bule Voador: eu não sei muito sobre isso, até porque não tenho saco para ficar acompanhando esse tipo de coisa, mas o número de relatos sobre isso dá “pulga atrás da orelha”. Veja bem, não estou dizendo que é automaticamente verdade porque muita gente disse que é, mas sim que é algo para se pensar.

 

Enfim, aqui está minha intromissão no assunto. Por que fiz isso? Porque eu quero, e também porque eu posso. LOL

Sobre o certo e o justo

Como magistralmente definiu o pai do guitarrista da minha banda, “Comer a buceta é certo mas não é justo, e comer o cu é  justo mas não é certo”. E assim caímos naquele ponto que sempre intriga os religiosos: como definir o que é certo sem Deus?

Há umas duas semanas conheci uma garota esclarecida, que não achou que tenho um pentragrama invertido com um Baphomet desenhado dentro e velas pretas no chão do meu quarto quando falei que sou ateu. Mais uma demonstração de quanto eu conheço gente legal, diga-se de passagem. E após isso tivemos uma breve conversa sobre moralidade, que prometi desenvolver melhor aqui. Demorei tudo isso mas finalmente fiz!

Bom, podemos definir uma moral objetiva de uma forma aparentemente simples: é tudo aquilo que trás sofrimento para menos pessoas. Mas é claro que não é tão simples assim. Como definir o que causa ou não sofrimento? Como calcular o sofrimento causado? E estamos falando de algo subjetivo, então não é objetivo…

Então vamos pensar um pouco nas raízes da moralidade. Uma das coisas que nos faz ser bons é a empatia. Há um motivo evolutivo bem forte para existir empatia, e não é difícil de entender. As pessoas que não se ajudavam na selva iam morrendo, e assim a empatia foi selecionada na população. Também podemos entender facilmente por que ser bom com os outros é bom. Você gostaria de viver em um mundo onde não podemos confiar em ninguém e temos que estar com a guarda alta o tempo todo? Pois é, nem eu. E não importa o quanto falam que os bonzinhos só se ferram, as pessoas gostam de pessoas boas e confiáveis.

Mas pensando bem, tudo isso não é altruísmo de verdade. Existe algum motivo para realmente querer ser bom sem esperar nada em troca? Não. O único motivo é você achar isso bonito. E tem coisas que nós fazemos sem motivo aparente, só porque é bonito. E mesmo sendo um racionalista, não vejo problema algum nisso. Desde que não te atrapalhe, faça a vontade.

Eu mesmo me dou ao luxo de cultivar esse tipo de hábito. Me considero um cavaleiro do século XXI, e não coloco aspas. Assim como diz o primeiro artigo da Lei Escoteira, minha honra é mais importante que minha própria vida. Talvez não literalmente, devo admitir, mas com certeza deixo de fazer certas coisas que poderiam me beneficiar ou resolver meus problemas de forma mais rápida em nome da minha honra. E não tenho muito problema em fazer isso.

E vocês, quais as suas “extravagâncias” nesse sentido?

O dogma antiantiantidogma

No meu post anterior eu deixei um gancho para o seguinte assunto: ideias indiscutíveis. Este post vai ser rápido, não tem muito o que falar sobre isso.

Fala-se muito de ideias indiscutíveis, mas isso em si é uma ideia furada. O método científico, que proporcionou todos os grandes avanços da humanidade, se baseia no princípio de que nenhuma ideia está imune a um ataque. Não existem verdades absolutas colocadas em um pedestal. Todas elas devem ser testadas exaustivamente, e as que sobreviverem são aceitas como verdade. E mesmo verdades estabelecidas há muito tempo ainda podem ser desconstruídas se houverem evidências suficientes.


Alguém pode dizer (e já disse para mim, inclusive) que certos conceitos são indiscutíveis porque qualquer um que tenta falar algo contra é ridicularizado. Por exemplo, a igualdade de raças. Bom, aí podem ocorrer dois fenômenos distintos.

O primeiro e felizmente mais comum é que o conceito possui uma quantidade tão grande de evidências a favor e nenhuma razoável contra que se torna uma verdade absoluta de facto. Não existe como argumentar de forma razoável contra esse conceito. Quem argumenta contra geralmente está usando argumentos falhos, e para isso só existem duas possibilidades: desonestidade intelectual ou ignorância. E uma pessoa dessas não pode ser levada a sério no meio científico.

O segundo é mais preocupante. Pode ser que a própria comunidade científica esteja ficando dogmática a respeito de um certo ponto. E o que isso significa? Que esta é composta por humanos, sujeitos ao erro. Devemos nos conformar com isso? Não! Assim como qualquer outro erro, este deve ser constatado e corrigido. E já cheguei a ouvir o absurdo de que isso significa que “a ciência não é lá essas coisas”. Não não, isso significa que a HUMANIDADE “não é lá essas coisas”. E não é mesmo, ninguém é perfeito.

Humanismo e potes de chá

Fico muito triste quando vejo ateus brigando com outros ateus. Nós já somos uma minoria e sofremos discriminação, principalmente na forma de invisibilidade e ignorância pura do cidadão brasileiro médio. E além de tudo isso, encontram motivos para segregar ateus.

Ontem um post do Bule Voador causou bastante polêmica, tanto em seus comentários quanto dentro do grupo Livres Pensadores. O ponto principal da controvérsia é o seguinte: esse texto estaria discriminando ateus, dizendo que todos devem ser humanistas e os que não o são valem nada.

Primeiramente, gostaria de falar mais a fundo sobre o humanismo propriamente dito, o que curiosamente nunca fiz no meu blog HUMANISTA.

O Humanismo é uma corrente filosófica que propõe colocar o humano no centro das preocupações da própria humanidade e da filosofia em si. Este movimento filosófico se iniciou no Renascimento, quando o teocentrismo medieval foi substituído pelo antropocentrismo. Apesar de existirem humanistas religiosos e até teístas, a religião jamais pode se colocar como um obstáculo ao desenvolvimento da humanidade (até porque se isso acontecer, entramos em uma contradição).

Ser humanista é colocar a humanidade no centro de suas próprias preocupações, lutar para resolver seus problemas, confiar em seu potencial para superar, inovar, vencer obstáculos e florescer. Ajudar o próximo para que todos possamos crescer juntos em um lugar melhor, construir esse sonho. Orientar esse esforço com base em uma moral objetiva, que vise o bem-estar da própria humanidade e a minimização do sofrimento sem se prender a livros milenares violentos e tradições cruéis e sem sentido. Se você tem esses objetivos e luta para cumprí-los, você é humanista. Não importa como tentem te rotular dentro do humanismo, ou qual regra tentem colocar para você poder fazer parte de uma determinada associação humanista. No máximo, você não poderá fazer parte desse clubinho. Mas como já disse no meu post anterior, você realmente precisa pertencer ao clubinho? E se falam que você não pode entrar lá, que você não é um verdadeiro humanista, esse clubinho merece que você seja membro mesmo?

Uma boa representação do humanismo, como já comentei antes, é o Star Trek (a.k.a. Jornada nas Estrelas). A própria missão da Enterprise é humanista: “ir bravamente onde nenhum homem jamais esteve”. Essa vontade de conhecer, explorar, desbravar, é uma das maiores motivações dos humanistas. E ao longo dessa jornada, a tripulação espalha seu humanismo nos diversos planetas visitados, onde encontram toda sorte de povos venerando deuses falsos que trazem grandes danos a eles mesmos, os quais são sempre desmascarados por nossos intrépidos heróis e o povo é liberto da opressão.

Capitão James T. Kirk, um humanista popstar (para os nerds, claro)

Mas algum pessimista da humanidade pode dizer:

Os humanos são um câncer, são piores que o cocô de qualquer animal, por que lutar por essa raça nojenta?

E a minha resposta é simples. Realmente podemos ser sacos de estrume que destroem seu próprio lar e matam a si mesmos. Então, o que devemos fazer? Sentar e chorar? Nos extinguir?* Admitir nosso fracasso e deixar tudo do jeito que está? NÃO!!!

Mesmo se tudo isso for verdade (por um ponto de vista é, mas existem tantas outras formas de ver o mesmo problema…), nós ainda somos humanos e ainda temos vontade de ser pessoas boas e viver em um mundo bom. Então devemos lutar por nós mesmos, ajudar nossos semelhantes e construir uma realidade melhor onde nós mesmos vamos viver.

E assim, ao meu ver não existe motivo para alguém não ser humanista. Estou dizendo que todo mundo devia ser humanista? Não, de forma alguma. Só não entendo. Quem quiser me explicar, por favor! E quem não quiser tudo bem, só vou continuar sem entender por que você não é humanista mesmo e me sentindo no direito de dizer que não vejo motivos para alguém não ser humanista.

E agora, voltando ao post do Bule. A grande controvérsia foi sobre esse dizer que se você é ateu e não é humanista, você não é melhor que, digamos, um cristão humanista. E por um lado eu concordo. Ser ateu virou moda, tem muito ateu hoje que é só um adolescente revoltado (e isso inclui adolescentes de 30+ anos, o tipo mais ridículo que existe), mas que ainda sim é homofóbico, racista, xenofóbico, entre outros. E tem muito teísta dando um banho de tolerância e compreensão sobre esses tipinhos.

Mas chegou um ponto em que o texto deu uma derrapada, ao dizer que existem certos conceitos indiscutíveis. E pior, continuar afirmando isso nos comentários. Ficava uma situação bem esquisita, algo como “não é dogma nem doutrina, só tem certas coisas que nunca podem ser discutidas”. E esse assunto vou desenvolver melhor no próximo post.

 

VEJA O POST SEGUINTE AQUI!!!

 

* Esse movimento de extinção voluntária da humanidade é uma das coisas mais insanas que já vi na minha vida. Páreo duro com o veganismo, a cientologia e as teorias conspiratórias sobre Elvis e a ida do homem à Lua.

A barra de gelo gigante

Por uma série de coincidências, vi hoje dois materiais favoráveis à descriminalização das drogas. O primeiro, este vídeo de Dâniel Fraga (um direitista, mas bastante sensato e com o qual eu concordo em vários pontos):

E o outro foi esta petição do Avaaz. Farei um breve resumo aqui:

Haverá uma conferência internacional da ONU para debater a chamada guerra às drogas, que há mais de 50 anos vem sendo levada a cabo por vários (cada vez menos, diga-se de passagem) países do mundo. A ideia é que as pessoas assinem esta petição para ser apresentada aos dirigentes internacionais para mostrar a quantidade de pessoas que apoiam o seguinte ponto de vista: trata-se de uma guerra inútil, cruel, que causa danos enormes e trás nada de bom para a sociedade.

Minha opinião sobre isso mudou bastante recentemente.  Até uns tempos atrás (não sei bem quando), eu era completamente contra a legalização das drogas atualmente ilícitas e a favor do sistema atual. Depois começou a me bater a pulga atrás da orelha: por que algumas drogas são liberadas e outras não? E mais, o álcool é sabidamente a droga mais onerosa à sociedade.

Depois fui apresentado a uma hipótese interessante de como a maconha foi criminalizada nos EUA: foi uma forma de na verdade criminalizar o imigrante mexicano, o qual culturalmente fumava maconha da mesma forma que os americanos fumavam tabaco. Segundo o artigo onde li isso, que infelizmente eu perdi há algum tempo, os “argumentos” apresentados para a criminalização da maconha eram dignos de Monty Python.

Mas também existem outros pontos. Nos Estados Unidos, a guerra contra as drogas é uma catástrofe: o crime organizado se fortaleceu e o consumo de drogas AUMENTOU desde que foram proibidas. Já na Suécia, a “guerra” é um sucesso. Qual o consenso? Que na Suécia funciona e nos EUA não. Esta questão está longe de concluída.

Outro fato: o “ópio do povo” (literalmente) pode ter um efeito devastador sobre a força de trabalho das nossas sociedades. Isso nos remete à China do século XIX, quando o imperador declarou guerra à Grã-Bretanha para combater o ópio, que transformava cidadãos trabalhadores em abobalhados, a famosa Guerra do Ópio (duh). Mas seria muito pior que o álcool no Carnaval matando mais pessoas nas nossas estradas que o terremoto do Japão?

Minha opinião a respeito de tudo isso: não sei se seria sábio simplesmente declarar o fim da “guerra às drogas” e liberar geral, mas com certeza é chegada (quiçá passada) a hora de rever essa loucura. Os governos empenhados nesta guerra estão enxugando uma barra de gelo gigante, criando grandes demandas no mercado negro, e consequentemente o surgimento e fortalecimento de organizações criminosas que acabam tomando o lugar do Estado onde este não consegue chegar, criando reinados de terror nas periferias (e acredito que esta afirmação procede, vide a alegria dos próprios habitantes das favelas com a chegada das forças armadas e o expurgo dos “senhores do crime” de suas comunidades). E acredito que se transformarmos esta proibição em regulamentação, poderemos enfraquecer estas organizações. Afinal de contas, não foi isso que aconteceu com a Máfia nos EUA com o fim da Lei Seca?

Temos que colocar lado a lado na balança os custos da liberação das drogas para a nossa sociedade e os custos desta guerra infindável, analisar com muito cuidado as consequências, abrir a mente, estudar de forma fria e racional, livre de medos e superstições. Só assim podemos encontrar a saída deste problema gigantesco para enfim direcionar nossas energias a tantos outros que ainda assombram nossa população.