Arquivo da tag: liberdade

Bebê não me machuque, não me machuque não mais!

Z39PL_F06

Quem nunca?

Pessoas, alguém lembra deste post aqui? Estava relendo e percebi o quanto mudei desde que escrevi. Aliás, uma coisa que eu nem percebia na época e precisa ficar claro: eu estava em um período transitório. Eu era uma pessoa extremamente moralista quanto a relacionamentos (pelo menos não se pode dizer que eu era machista, porque eu queria impor o mesmo conjunto rígido de regras para todas as pessoas da face da Terra indiscriminadamente) até há um pouco menos de dois anos atrás, e quando escrevi esse post eu estava começando a me libertar disso. Estava em transição e nem percebi como ficou refletido na minha escrita: digo ao mesmo tempo que quem não gosta de relacionamento estável não achou a pessoa certa e que algumas pessoas não se encaixam nesse tipo de relacionamento. OPA PERA

Então aqui vai a minha nova opinião sobre isso.

Eu compreendia muito mal as críticas aos relacionamentos tradicionais, e acabei construindo um espantalho deles naquele post. As pessoas que criticam esses relacionamentos geralmente o fazem com uma base bastante sólida: esse modelo é restritivo, trás uma carga grande de machismo. É uma reprodução do casamento patriarcal de uma forma mais casual. A infidelidade masculina recebe vista grossa, ou mesmo é incentivada, e a feminina, duramente reprimida. Existe uma ilusão de poder feminino na imagem da mulher ciumenta, mas é ela quem é xingada, ameaçada, apanha ou até mesmo é assassinada porque ousou trair ou abandonar o parceiro.

Eu não entendia na época que eu tinha uma visão romantizada do que talvez fosse boa parte dos namoros ao meu redor, eu já tinha uma concepção um pouco diferente de como queria tratar a minha parceira. Tanto é que ouvia aqueles “conselhos maravilhosos” de que mulher gosta de ser tratada mal, até ouvia outros homens falando que eu só ia me ferrar desse jeito e estava nem aí.

Quanto às pessoas que “não sossegam”, continuo com a mesma visão: são pessoas forçadas a viver em um modelo de relacionamento que não as satisfaz.. A diferença é que eu me acalmei  quanto a minha postura militante nesse assunto e não tenho mais vontade alguma de fazer uma “cruzada para consertar o mundo”. Tenho confiança nas minhas preferências, sei que não estou sozinho no mundo e que não existe um esforço sistemático da sociedade para destruir qualquer relacionamento duradouro, e isso me basta. Curiosamente, não me sinto tão envergonhado desse meu período como imaginei que me sentiria.

Todo o resto é preferência pessoal, e nisso posso dizer que não mudei muito. Continuo o mesmo “romântico incorrigível” de antes, a diferença é que me abri mais para o feminismo e consegui finalmente entender que não existe “fórmula mágica” para os relacionamentos. E percebi como isso é bom. E para isso, fecho o post com o meu sensacional guia definitivo dos relacionamentos.

9Rgqq

Se dê ao respeito!

As pessoas precisam aprender a se dar ao respeito. E isso nada tem a ver com o que geralmente é dito sobre respeito.

Dar-se ao respeito é respeitar a si mesmo: suas vontades, seus gostos, seu estilo, suas opiniões. É respeitar o seu próprio ritmo, suas próprias capacidades, não fazer mais ou menos que isso apenas por pressões exteriores. É não se deixar abalar pela patrulha alheia, não se curvar aos desejos daqueles que buscam controlar os outros, principalmente sob o pretexto de “ser respeitado”. Aquele que exige um certo comportamento para “ser respeitado” é de fato quem mais desrespeita o próximo.

Seja como a Jack, de Mass Effect. Ela é careca. Ela é tatuada. Ela fala palavrão. E nada disso é da sua conta.

Vivemos em um mundo onde o respeito deve ser conquistado, e isso não pode ser feito pela submissão. O respeito nasce da auto-afirmação, da força do indivíduo. Aquele que se curva só para ganhar respeito é uma pessoa quebrada, que não pode reagir e que, aos olhos do mundo, passa a mensagem de que pode ser usada. A forma de quebrar isso é pela auto-afirmação, pela certeza de quem a pessoa é, principalmente a certeza de que é um indivíduo em constante transformação, pela tomada do controle de suas próprias decisões e de seus próprios desejos.

Mas obviamente esse é só um lado da moeda. Outra máxima, talvez mais importante que tudo que foi dito antes, é: RESPEITE PARA SER RESPEITADO! Teríamos um ambiente muito mais tranquilo e habitável se não houvesse a constante tentativa de quebrar as outras pessoas. Mas infelizmente temos que aprender a sobreviver neste mundo enquanto tentamos construir outro. E para podermos fazer isso, temos que aprender a nos respeitar antes de mais nada.

Esse é o verdadeiro exemplo de se dar ao respeito!

Meu posicionamento político e econômico

Desde o início deste blog eu já tinha uma ideia de posicionamento político (que já mudou consideravelmente, diga-se de passagem), mas não tinha muito clara qual seria a minha proposta. Vim amadurecendo-a nesse meio tempo, e hoje já tenho um projeto mais claro. Ainda está em estágio bem preliminar, ou assim espero, porque eu ainda tenho só 18 anos e todo um curso de economia pela frente…

Então sem mais delongas, vamos lá:

Resultado

Meu "politicômetro", bem pertinente de ser lembrado agora

Meu projeto é  essencialmente o que se pode chamar de “esquerdista”, apesar desse tipo de separação entre “esquerda” e “direita” ser um tanto oca nos dias de hoje. Concordo com a máxima marxista de “de cada qual, de acordo com suas habilidades; a cada qual, de acordo com suas necessidades”, mas sem seguir estritamente alguma “cartilha” que eu já tenha lido, e fazendo um apanhado de outras ideias que considero boas.

Economia

Vejo como o maior problema do capitalismo como é conduzido hoje o corporativismo. Grandes corporações fazem práticas como monopólios e cartéis, que efetivamente destroem o livre mercado (uma ideia essencialmente boa) e acabam prejudicando o consumidor com preços abusivos e serviços de qualidade inferior. É também pelo mesmo motivo que também sou contra a economia completamente subjugada ao Estado.

Na minha visão ainda de leigo interessado por economia,vejo a liberdade irrestrita de mercado como insustentável. Como trata-se de uma competição, alguém vai acabar ganhando. Quando isso acontecer, esse vencedor terá um enorme poder econômico, e consequentemente político, por meio do famigerado lobby, e exercerá controle. Desta forma, novos concorrentes dificilmente conseguirão estar a altura, e assim a liberdade do mercado está ameaçada. Assim, vejo como importante a presença de um incentivo estatal para novas empresas e uma regulamentação forte contra práticas como monopólios e cartéis, para garantir a continuidade da competição, e assim manter altos os padrões de qualidade dos serviços prestados. (Apesar de eu preferir a cooperação à competição, percebo que é ingênuo imaginar que uma sociedade cooperativa funcionaria hoje, da mesma forma que considero ingênuo achar que anarquia funcionaria hoje, apesar de ser na minha opinião a meta para a humanidade.)

Também vejo a especulação como uma prática bastante negativa, além de considerar indigno alguém criar dinheiro simplesmente comprando e vendendo papéis. Acredito que a especulação deveria ser exterminada. Inclusive, puxando para o lado social, acredito que uma solução razoável seria proibir que proprietários mantivessem um terreno fechado por períodos muito longos, sendo obrigados a alugar, vender ou encontrar uma solução parecida. Isso também poderia resolver o défict habitacional, aumentando a oferta de terrenos e assim diminuindo os preços.

Política

Se ele tivesse dito "Fodeu!" em um pronunciamento público, hoje isso seria uma frase histórica.

Citando Winston Churchill, “a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as outras formas que tem sido tentadas de tempos em tempos”. A democracia representativa é a forma de governo melhor consolidada que existe hoje, e acredito que deveria continuar sendo utilizada, mas visando uma transição para a democracia direta, na qual as próprias pessoas poderiam votar diretamente nas decisões, como já acontece em plebiscitos e referendos, mas tornando-os cada vez mais frequentes.

Acredito que os políticos, principalmente os parlamentares, deveriam ser apenas representantes, e não políticos profissionais. O político deveria ser tratado da forma como ele é atualmente na Suécia. O vídeo abaixo (OLD, mas não menos excelente por isso) demonstra perfeitamente.

Também defendo que a eleição de parlamentares deveria ser feita diretamente pelo número de votos, e não com esses  mecanismos de “puxar votos” para um determinado partido.

 

Sociedade e Estado

Como já deve ter ficado bem claro no restante dos meus posts, e até mesmo neste, não defendo o estado mínimo, mas também considero ineficiente um modelo completamente estatizado. As funções que deveriam caber ao Estado na minha opinião seriam garantir para todos os cidadãos em dia com suas obrigações cívicas saúde, educação, segurança, saneamento, acesso a comunicações e eletricidade, além de oferecer subsídios para alimentação e habitação a cidadãos necessitados.

A implantação de infra-estrutura de saneamento, transporte, eletricidade e comunicações seria feita pelo Estado, mas sua manutenção e o oferecimento desse serviço para o cliente final seria feito por meio de empresas privadas, desde que houvesse uma concorrência real entre empresas. Por exemplo, não existe concorrência em concessões de estradas, porque dificilmente alguém mudaria de caminho porque está insatisfeito com o serviço da concessionária de determinada estrada (isso quando não é impossível evitar uma empresa completamente, e.g. quando esta controla todas as estradas de uma região). Também não há concorrência quando apenas uma companhia de eletricidade ou saneamento detém a concessão de uma cidade inteira, ou quando uma linha de transporte público é detida por apenas uma empresa (e geralmente é pior ainda, pois é formado um cartel com todas as empresas de transporte público de uma cidade).

 

Conclusão

Essa é a opinião que eu, ainda como leigo meramente interessado por política e economia, tenho a respeito de como seria um bom sistema político e econômico. Como disse no início, ainda tenho muito pela frente e imagino que muita coisa mudará, assim como muito já mudou antes.

Liberdade existe?

Talvez não esteja muito claro aqui ainda, mas eu sou contra o libertarianismo, apesar de ser completamente a favor das liberdades individuais. E ultimamente fortaleci minha oposição ao libertarianismo quando tive uma conversa interessante sobre o próprio sentido da liberdade.

Liberdade deve ser uma das coisas mais difíceis de definir, ali com amor e felicidade. Mas estou chegando a uma conclusão: liberdade absoluta, assim como felicidade absoluta, é algo que não existe. Não na nossa realidade, pelo menos.

Tome a situação onde se poderia estar o mais próximo possível da liberdade total: sozinho na selva. Mesmo assim não existe liberdade total. Por que? É fácil de entender. Você pode, por exemplo, decidir que nunca mais vai se preocupar com comida e com predadores, e vai ficar o resto da sua vida tomando sol e mergulhando na cachoeira? Não, você não pode. Ou melhor, até pode, mas é um estilo de vida inviável.

E vivendo em sociedade, a busca pela liberdade fica ainda mais difícil, porque você tem que conviver com outras pessoas. E como dizia Sartre, “o inferno são os outros”. Você não vive em uma bolha: suas ações afetam outras pessoas. Qualquer ação. E assim temos paradoxos bastante interessantes sobre liberdade.

Imagine que todas as pessoas pudessem andar nuas. Haveria mais liberdade, certo? Certo. Ou não. Você não teria mais a liberdade de não ver pessoas nuas, por exemplo (existem pessoas que gostam de desfrutar dessa liberdade, eu incluso em boa parte das situações).

E por causa desse paradoxo temos que fazer certas concessões de nossa liberdade para termos uma convivência pacífica (o chamado contrato social, pesadelo de muitos libertários que “não assinaram contrato algum” mas os quais acredito que se arrependeriam de revogá-lo por completo se assim pudessem). Chegamos a dois pontos básicos que norteiam a noção de liberdade na sociedade moderna:

1 – A minha liberdade termina onde começa a sua.

2 – Liberdade prescreve responsabilidade.

Não é perfeito, ainda é uma definição vaga e existe muita controvérsia sobre onde começa a liberdade do próximo, ou ao tentar visualizar claramente a linha tênue entre liberdade e irresponsabilidade (e mais, até onde temos ou não o direito de ser irresponsáveis), mas na minha opinião é o melhor que temos por enquanto.

E por isso eu leio muito mas ainda não consigo formular uma opinião, por exemplo, sobre o humor precisar ter limites ou não. Até onde os impactos de um humor preconceituoso são reais? Quais as discriminações concretas que se escondem sob o manto do “é piada, não levem a sério”? Ainda estou bem incerto quanto a isso.

 

Mas uma coisa é certa: o único lugar onde existe liberdade de verdade é naquela área de preparação da Matrix. Se você estiver sozinho, claro.

Sinto muito, jogadores de Minecraft, nem aí vocês tem liberdade total!

Nós somos legião!

Hoje me deparei com o seguinte vídeo:

Em geral, eu não gosto dos vídeos desse canal aí. Esse cara é um belo de um reacionário, e muitos vídeos tem uma carga religiosa bem forte, além de ser de direita (perdoem-me por eventuais ad hominem). Mas alguns vídeos dele são excelentes, e este que postei é um bom exemplo.

Não ligo muito para o fato do Facebook estar vendendo minhas informações, eu já as disponibilizei mesmo e continuo expondo o tempo todo: em atualizações no próprio Facebook, no meu Twitter, neste blog, comentando em outros blogs e no Youtube… fora o que eu já falo no “mundo real”! Mas o que venho aqui fazer é constatar um fato que talvez este vlogueiro não tenha reparado.

É verdade, a mídia tradicional rechaçou o Assange, mostrou [ou pelo menos tentou mostrar em um primeiro momento] como um vilão, ridicularizou. Mas nosso tempo tem um diferencial: a internet. Essa ferramenta permite muito mais que o tráfego de pornô, fotos de gatinhos, trollagem e games online. Ela dá voz para qualquer pessoa. Um cara qualquer pode chegar qualquer dia, ligar a câmera, começar a falar, fazer algo interessante e ficar famoso sozinho, só no boca-a-boca. Quem antes era a “massa muda” agora pode expor suas ideias, convencer pessoas, encontrar quem pensa igual, se unir, organizar, movimentar. Resultado: nós não engolimos o que a mídia falou. Para a esmagadora maioria na internet, Julian Assange foi um herói. Até os formadores de opinião tradicionais tiveram que reconhecer isso.

Lembremos da famosa distopia de George Orwell, o livro 1984. Nele, a tecnologia tinha um papel importantíssimo para formar uma ditadura, onde a história (e assim, a memória de todos) era modificada a qualquer hora pelos dirigentes, as pessoas eram vigiadas o tempo todo. Felizmente essa previsão não se concretizou, pelo contrário: a tecnologia tem um papel essencial para DERRUBAR ditaduras. O Twitter serviu para mobilizar protestos no Irã, atrair atenção e apoio da comunidade internacional para o Egito e a Líbia. E isso é só o começo.

Conhecem o Avaaz? É um site de mobilização da sociedade civil, onde pessoas criam abaixo-assinados e divulgam na internet. A mais recente vitória foi conseguir vetar uma lei em Uganda que puniria a homossexualidade com a morte. Também pressionaram pela libertação da iraniana Sakineh Ashtiani e de Julian Assange. Existem outros sites similares, como o Causes. Outro exemplo da voz do povo pela internet é a campanha Eu Voto Distrital, mas isso não vem muito ao caso agora… (A propósito, apoiei e apóio tanto o Avaaz quanto o voto distrital.)

Esse é o nosso momento. Não vamos nos calar, não vamos ouvir aqueles que tentam impor qualquer coisa sobre nós. Este já é um caminho sem volta, mais um triunfo da humanidade contra a tirania e o obscurantismo. Nenhum de nós é mais forte que todos nós juntos!