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Associação do Livre Voador

Para quem esperava um post de mais alto nível como os outros, foda-se me desculpe.

Devo ser muito burro mesmo por me prestar a falar sobre esse assunto, mas já que eu sou burro, hoje é domingo e eu tenho nada melhor para fazer, vamos lá.

 

Testemunhamos nesta semana mais um cenário da Segunda Guerra Buleana, a Campanha Paulopesiana. Segue o diário de campanha:

Protejam-se em suas trincheiras, a guerra está solta!

O campo de batalha é o Paulopes Weblog. Toda a movimentação da campanha aconteceu neste.

Dia 0: . Publicação de um texto de Daniel Sottomaior em resposta a uma crítica de Ives Gandra sobre o “fundamentalismo ateu”.

Dia 1: Publicação de uma resposta de Eli Vieira ao texto do dia anterior.

Dia 2: Os confrontos se estendem ao próximo dia, mas sem acontecimentos notáveis. Configura-se uma “terra de ninguém” entre as linhas dos beligerantes.

Dia 3: Publicação de uma resposta de Marcelo Esteves a Eli Vieira e também da resposta de José Geraldo Gouvêa a Eli Vieira, e por extensão a Daniel Sottomaior. Os confrontos continuam em larga escala. O cenário é aterrador, mas o moral dos beligerantes não se abate.

 

Bom, agora vou falar mais sério sobre o assunto. Se alguém se incomodou com a brincadeira do diário de batalha, foda-se você também.

Essa “guerra” toda é uma miscelânea de algumas reclamações justas e um grande conflito de egos entre os “beligerantes”. O paralelo com as Guerras Mundiais é bem pertinente, visto que a segunda origina-se de questões não resolvidas da primeira em ambos os casos. Devo dizer que o texto de José Geraldo Gouvêa se destaca por não estar metido nessa rixa, e sim refutando pontos das outras “batalhas”, e nisto desempenhou um papel excelente.

 

Desejo quero fazer algumas considerações sobre os “beligerantes”.

Primeiramente, aos anti-Bule: há uma grande confusão feita a respeito do propósito da LiHS como um todo. O Bule Voador NÃO É um blog ateu, e sim um blog HUMANISTA, mesmo tendo ateus na esmagadora maioria de sua composição. Pode parecer óbvio para mim, mas pelo jeito não é. Entendendo este ponto ESSENCIAL, podemos entender atitudes como abrir espaço humanistas religiosos. Dentro dessa proposta, não há problemas com isso. Posso estar redondamente enganado, mas assim me parece e me pareceu com todas as pessoas que me consultei.

Sobre o “elitismo buleano” e o “faCismo”: compactuo com a opinião de Gregory Gaboardi: “Se for a casta dos ateus que pensam sobre o ateísmo, então realmente estarei criando uma casta. E não sinto culpa nenhuma neste caso”. Eu não vejo tão deflagrada assim a criação de uma “casta”, mas se é elitista buscar uma reflexão melhor dos seus próprios valores, entendê-los a fundo, e instigar outros a fazer isso, talvez ser “elitista” não seja algo tão ruim.

Agora, a Eli Vieira: sua explicação de que ateísmo é uma crença não me convenceu. Não tenho também provas do contrário, mas após ver que José Geraldo Gouvêa expôs seu uso parcial (no sentido literal da palavra) de uma fonte e rejeitar a definição de ateísmo fraco como ateísmo, acredito que essa posição esteja em xeque. Tendo tudo isso em vista, prefiro utilizar a definição mais corrente de ateísmo: a descrença em divindades OU [inclusivo] a crença na não-existência de divindades. Ademais, como diz o próprio nome da comédia de Shakespeare, “Much Ado About Nothing” (muito barulho por nada). Tudo isso por causa da definição de uma palavra?

Segundo essa definição, como aponta Eli Vieira, temos consequências sem sentido como pedras ateias, certo? Errado. Até onde sabemos, pedras não pensam, então não acreditam ou deixam de acreditar. Mas também chegamos a um ponto: ser ateu por ser ateu significa MERDA NENHUMA!!! Se você acredita na existência de divindades ou não, grande coisa. Mas isso não é justificativa para retalhar a definição de ateísmo e incluir apenas os que “significam algo”.

Por último, quanto às acusações de censura no Bule Voador: eu não sei muito sobre isso, até porque não tenho saco para ficar acompanhando esse tipo de coisa, mas o número de relatos sobre isso dá “pulga atrás da orelha”. Veja bem, não estou dizendo que é automaticamente verdade porque muita gente disse que é, mas sim que é algo para se pensar.

 

Enfim, aqui está minha intromissão no assunto. Por que fiz isso? Porque eu quero, e também porque eu posso. LOL

Muito obrigado por tudo, ateus imbecis!

Eu até pensei em escrever sobre o câncer do Lula, mas esse assunto acabou me chamando mais a atenção.

 

[PAUSA PARA VOCÊS SE ESTRANHAREM COM O TÍTULO]

 

Recentemente passei por uma situação que me fez pensar melhor sobre certas coisas. Foi o seguinte: o twitter @ateus_atentos deu RT em uma pessoa reclamando de uma pizzaria que colocava mensagem religiosa na caixa de pizza e comentei sobre uma padaria aqui perto que coloca o Pai Nosso no saco de pão. E olhem só o que aconteceu:

Se esse twitter realmente for do Daniel Sottomaior, devo dizer que fiquei muito decepcionado. Admiro bastante seu trabalho com a ATEA em divulgar que ateus são como qualquer outra pessoa e merecem o mesmo respeito, e fazendo isso de forma respeitosa e educada, tendo até o reconhecimento de não-ateus. Que é exatamente o contrário do que foi feito aqui.

Em primeiro lugar, me diga: onde fui tão oprimido e humilhado com esse saco de pão? O espaço é particular, o dono tem o direito de fazer isso. Fiz uma breve pesquisa com amigos teístas e frequentadores de igreja e nenhum deles se recusaria a frequentar uma padaria onde viesse escrito no saco de pão “Allah akbar”, “Odin é grande” ou “Louvado seja o Monstro de Espaguete Voador”. Por que eu deveria me sentir incomodado com isso? Não foi algo ofensivo, como “aqui só entra quem tem Deus no coração”. Isso sim seria digno de um boicote.

E mais: acha que eu sou um molenga que faz nada para melhorar a situação dos ateus? Então vai lá comprar pão pra mim na puta que o pariu!

 

Esse é exatamente o tipo de desserviço que nós NÃO precisamos. Quanto mais babacas desse tipo aparecerem, mais contribuem para a manutenção do estereótipo do ateu ranzinza que odeia os religiosos e ninguém quer por perto. É disso mesmo que precisamos. VALEU!!!

Humanismo e potes de chá

Fico muito triste quando vejo ateus brigando com outros ateus. Nós já somos uma minoria e sofremos discriminação, principalmente na forma de invisibilidade e ignorância pura do cidadão brasileiro médio. E além de tudo isso, encontram motivos para segregar ateus.

Ontem um post do Bule Voador causou bastante polêmica, tanto em seus comentários quanto dentro do grupo Livres Pensadores. O ponto principal da controvérsia é o seguinte: esse texto estaria discriminando ateus, dizendo que todos devem ser humanistas e os que não o são valem nada.

Primeiramente, gostaria de falar mais a fundo sobre o humanismo propriamente dito, o que curiosamente nunca fiz no meu blog HUMANISTA.

O Humanismo é uma corrente filosófica que propõe colocar o humano no centro das preocupações da própria humanidade e da filosofia em si. Este movimento filosófico se iniciou no Renascimento, quando o teocentrismo medieval foi substituído pelo antropocentrismo. Apesar de existirem humanistas religiosos e até teístas, a religião jamais pode se colocar como um obstáculo ao desenvolvimento da humanidade (até porque se isso acontecer, entramos em uma contradição).

Ser humanista é colocar a humanidade no centro de suas próprias preocupações, lutar para resolver seus problemas, confiar em seu potencial para superar, inovar, vencer obstáculos e florescer. Ajudar o próximo para que todos possamos crescer juntos em um lugar melhor, construir esse sonho. Orientar esse esforço com base em uma moral objetiva, que vise o bem-estar da própria humanidade e a minimização do sofrimento sem se prender a livros milenares violentos e tradições cruéis e sem sentido. Se você tem esses objetivos e luta para cumprí-los, você é humanista. Não importa como tentem te rotular dentro do humanismo, ou qual regra tentem colocar para você poder fazer parte de uma determinada associação humanista. No máximo, você não poderá fazer parte desse clubinho. Mas como já disse no meu post anterior, você realmente precisa pertencer ao clubinho? E se falam que você não pode entrar lá, que você não é um verdadeiro humanista, esse clubinho merece que você seja membro mesmo?

Uma boa representação do humanismo, como já comentei antes, é o Star Trek (a.k.a. Jornada nas Estrelas). A própria missão da Enterprise é humanista: “ir bravamente onde nenhum homem jamais esteve”. Essa vontade de conhecer, explorar, desbravar, é uma das maiores motivações dos humanistas. E ao longo dessa jornada, a tripulação espalha seu humanismo nos diversos planetas visitados, onde encontram toda sorte de povos venerando deuses falsos que trazem grandes danos a eles mesmos, os quais são sempre desmascarados por nossos intrépidos heróis e o povo é liberto da opressão.

Capitão James T. Kirk, um humanista popstar (para os nerds, claro)

Mas algum pessimista da humanidade pode dizer:

Os humanos são um câncer, são piores que o cocô de qualquer animal, por que lutar por essa raça nojenta?

E a minha resposta é simples. Realmente podemos ser sacos de estrume que destroem seu próprio lar e matam a si mesmos. Então, o que devemos fazer? Sentar e chorar? Nos extinguir?* Admitir nosso fracasso e deixar tudo do jeito que está? NÃO!!!

Mesmo se tudo isso for verdade (por um ponto de vista é, mas existem tantas outras formas de ver o mesmo problema…), nós ainda somos humanos e ainda temos vontade de ser pessoas boas e viver em um mundo bom. Então devemos lutar por nós mesmos, ajudar nossos semelhantes e construir uma realidade melhor onde nós mesmos vamos viver.

E assim, ao meu ver não existe motivo para alguém não ser humanista. Estou dizendo que todo mundo devia ser humanista? Não, de forma alguma. Só não entendo. Quem quiser me explicar, por favor! E quem não quiser tudo bem, só vou continuar sem entender por que você não é humanista mesmo e me sentindo no direito de dizer que não vejo motivos para alguém não ser humanista.

E agora, voltando ao post do Bule. A grande controvérsia foi sobre esse dizer que se você é ateu e não é humanista, você não é melhor que, digamos, um cristão humanista. E por um lado eu concordo. Ser ateu virou moda, tem muito ateu hoje que é só um adolescente revoltado (e isso inclui adolescentes de 30+ anos, o tipo mais ridículo que existe), mas que ainda sim é homofóbico, racista, xenofóbico, entre outros. E tem muito teísta dando um banho de tolerância e compreensão sobre esses tipinhos.

Mas chegou um ponto em que o texto deu uma derrapada, ao dizer que existem certos conceitos indiscutíveis. E pior, continuar afirmando isso nos comentários. Ficava uma situação bem esquisita, algo como “não é dogma nem doutrina, só tem certas coisas que nunca podem ser discutidas”. E esse assunto vou desenvolver melhor no próximo post.

 

VEJA O POST SEGUINTE AQUI!!!

 

* Esse movimento de extinção voluntária da humanidade é uma das coisas mais insanas que já vi na minha vida. Páreo duro com o veganismo, a cientologia e as teorias conspiratórias sobre Elvis e a ida do homem à Lua.